
O mercado de caminhões deverá fechar o ano com queda de 24%, segundo as projeções da Fenabrave revisadas para 2023. Para o ano que vem, alguns indicadores mostram que o caminho seguirá sendo desafiador para montadoras e concessionários em termos comerciais.
Existe uma máxima na indústria automotiva que versa sobre a ligação do Produto Interno Bruto (PIB) com o desempenho das vendas de caminhões. Quanto mais elevado for o indicador, maiores são as possibilidades de vendas no país.
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Acontece que, para o ano que vem, de acordo com a consultora Tereza Fernandez, que presta serviços à Fenabrave, o PIB deverá apresentar taxa de crescimento menor do que a projetada para 2023. Se neste ano a alta será de até 3%, no ano que vem o crescimento deverá ser de 2%, o que exerce pressão sobre o setor.
Quando olhamos para a projeção do PIB do setor agropecuário – que também regula os animos comerciais no segmento de modelos pesados – a projeção da consultora é mais abrupta. Neste ano, o indicador deverá ser 17% maior na comparação com 2022. Já em 2024, o crescimento antevisto é mais modesto, 5%.
A taxa de juros sobre os financiamentos, também algo muito ligado ao setor de caminhões, é algo que preocupa da mesma forma que o PIB, considerando a projeção de um patamar de dois dígitos ao longo do ano que vem, girando em torno de 11,25%, segundo a consultora.
Obras do PAC animam o setor de caminhões
Por outro lado, nem tudo são más notícias. A consultora disse na terça-feira, 3, durante a apresentação do balanço da Fenabrave, que existe a possibilidade de estabilidade do preço das commodities no mercado externo, no ano que vem. O que é positivo para o agronegócio (leia-se: transporte de cargas), é positivo também para as montadoras de caminhões.
O PAC, que é o Programa de Aceleração do Crescimento, também poderá proporcionar volumes maiores de vendas para as fabricantes de veículos instaladas no país. Isso porque a área de infraestrutura, assim como o agronegócio, também é um setor que abriga importantes clientes frotistas.
No fim das contas, entre o alento das promessas e o alerta do quadro macroeconomico doméstico e global existe todo um setor que precisa vender mais e, por consequência, produzir mais. O baque da transição do Euro 5 para o Euro 6 nos licenciamentos reduziu a capacidade das montadoras, algumas operando em apenas um turno há meses.
Havia certa esperança acerca do programa de socorro às fabricantes lançado pelo governo federal na virada do semestre, o qual produziu pouco ou quase nenhum efeito relevante nos licenciamentos registrados a partir de julho. Tanto que quatro meses depois, completados na terça-feira, 3, poucos recursos do programa foram acessados por compradores.
Dos R$ 700 milhões que estavam disponíveis, cerca de R$ 100 milhões foram utilizados. Com isso, R$ 600 milhões restantes retornam a partir de hoje para o Tesouro por uma série de razões, claro, mas principalmente porque o frotista não quis se arriscar tanto no mercado. Ao que tudo indica, eles escolheram esperar.
