
“De 2002 a 2014 o valor de nossas ações cresceu 44%, quatro vezes acima do DAX (índice de ações da Bolsa de Frankfurt)”, acrescentou o executivo. Ele também destacou que a expansão foi balanceada em todo o mundo. Hoje a Europa representa 43% das vendas, contra 31% na Ásia e 23% nas Américas. “No entanto, o desenvolvimento também foi bastante heterogêneo. A volatilidade dos mercados é a nova constante do nosso negócio”, pontuou.
Para 2015, Reithofer destacou três prioridades para a empresa. A primeira é continuar a expansão da rede global de produção, que já envolve investimentos de € 6,1 bilhões em novas fábricas Brasil, em Araquari (SC) e no México, em San Luis Potosi, além de ampliações substanciais em plantas na Alemanha, China e Estados Unidos, que terá a capacidade expandida para 450 mil unidades/ano. O segundo objetivo é agregar valor sustentável aos produtos, e o terceiro é investir na digitalização e serviços conectados. “Tivemos sucesso nos últimos 99 anos de existência da BMW porque sempre nos antecipamos às necessidades dos clientes”, resumiu o CEO.
RESULTADOS SÓLIDOS
Os resultados financeiros do grupo alemão vem se mantendo robustos ao longo dos últimos anos. A liquidez do Grupo BMW terminou o ano em € 11,6 bilhões e o fluxo livre de caixa somou € 3,48 bilhões, acima da meta de € 3 bilhões, que será mantida para 2015. “Em 30 anos trabalhando em fabricantes de automóveis premium, aprendi que quando se tem bons produtos, marca respeitada e pessoas qualificadas, os resultados positivos aparecem naturalmente”, explica Peter Schwarzenbauer, responsável pelas marcas Mini, BMW Motorrad (motos) e Rolls-Royce e pelo pós-vendas na diretoria executiva do Grupo BMW. Além da BMW, ele também já trabalhou na Audi e Porsche.
“Fechamos 2014 com margem de lucro EBIT dentro do nosso objetivo mais otimista (9,6%, diante da meta de 8% a 10%). Em 2014 vamos perseguir essa mesma faixa de rentabilidade, a despeito dos efeitos cambiais negativos da volatilidade e maior volume de vendas de modelos compactos, de menor valor”, disse Friedrich Eichiner, o chefe financeiro do board.
O desempenho recorde garantirá este ano o maior dividendo já pago aos acionistas do grupo, de € 2,90 por ação ordinária, o que totalizará o pagamento de € 1.9 bilhão, em alta 33% sobre o ano passado.
Eichner também destacou os investimentos do grupo em 2014, de € 4,57 bilhões, sendo € 1,57 bilhão somente em pesquisa e desenvolvimento. Segundo ele, os valores anuais aplicados em expansão e tecnologia deverão se manter em torno de 5% do faturamento. “As cifras de investimento vão crescer porque esperamos aumentar as vendas”, explica.
VOLATILIDADE EM ALTA E NOVO AVANÇO
“Apesar dos efeitos adversos da volatilidade mundial, que podem atrapalhar os planos, o grupo prevê novo avanço dos resultados em 2015”, projeta Eichiner. “Em condições estáveis, esperamos por um sólido aumento das vendas em comparação com 2014. Nos Estados Unidos, antecipamos perspectivas positivas de expansão do mercado premium. Também vemos crescimento na China no médio e longo prazos, mas em níveis menores do que no passado, que nos levou a aumentar a produção no país de 50 mil para quase 500 mil/ano no intervalo de apenas alguns anos. Na Europa estimamos a continuação de uma leve retomada dos negócios”, elenca.
De maneira geral, o grupo trabalha com a perspectiva de crescimento, mas em níveis moderados. Mesmo na China, onde as vendas avançaram 16,6% em 2014, para 482,2 mil carros, as condições são desfavoráveis para continuar a expansão no mesmo ritmo: “Vemos a expansão reduzida para um dígito (porcentual). Existem muitas cidades que estão adotando restrições à venda de veículos novos. Existem novas oportunidades no país, como a venda de carros elétricos que não precisam de licença prévia, mas não são mais as mesmas de anos anteriores”, avalia Ian Robertson, membro da diretoria executiva responsável por marketing e vendas do Grupo BMW.
Nas Américas as vendas voltaram a se aquecer em 2014, com alta de 4% e 482,2 mil carros do Grupo BMW entregues aos clientes, com destaque para os Estados Unidos, onde a expansão foi de 5,4%, com quase 397 mil unidades vendidas. Graças ao bom desempenho na porção norte do continente, a BMW tem boas perspectivas para a região e investe em uma fábrica no México com capacidade para 150 mil veículos/ano. “Será uma planta voltada à exportação”, ressalta Robertson – bem ao contrário do Brasil, de onde não se prevê exportar nenhum carro, nem para países sul-americanos.
Após anos seguidos de crescimento no Brasil, as vendas em torno de 15 unidades em 2014, em alta de 7%, ainda pouco significam no universo de 2 milhões de unidades vendidas pelo grupo em todo o mundo no ano passado. Por isso o País foi pouco citado durante a conferência, apenas duas vezes para lembrar da construção da fábrica de Araquari. No entanto, os executivos da companhia garantem que o mercado brasileiro segue sendo estratégico para o crescimento global, por isso os planos e investimentos estão mantidos (leia aqui).