No mundo corporativo sempre fomos programados para fazer mais e melhor e, nessa toada, esquecemos do projeto mais importante de todos: o plano pessoal de vida. Achamos que sempre haverá tempo para pensar nisso e vamos
empurrando com a barriga o que não deveria ser adiado.
À medida que os anos passam, nossa garganta vai engrossando e nossa habilidade de engolir sapos diminui sensivelmente. Por termos adquirido vivências nesses anos trabalhados, não nos lançamos afoitamente àqueles programas de redução de custos, ideias infalíveis ou “stretch
objectives”. A empresa percebe que fica mais difícil nos motivar para as tarefas impossíveis, tão presentes no dia-a-dia corporativo. Começa então a buscar
maneiras de nos influenciar para a aposentadoria.
Outras têm idade limite já estabelecida para todos que ali trabalham. Mas, mesmo nesses lugares, boa parte não se prepara para o dia final da carreira. Após esse dia não haverá mais eufemismos. Melhor ir se acostumando, a-
po-sen-ta-do! Alegre-se, meu amigo. Há esperanças, e muitas, para você!
Entenda que não é preciso capitalizar para sempre. O ditado popular “caixão não tem gavetas” é perfeito. Você não precisará de dinheiro nem de bens materiais depois dessa vida. Por isso, se teve a consciência de guardar parte de seus ganhos para o futuro e juntou um patrimônio, as suas chances de viver com as finanças em dia são muito boas.
Faça uma continha de quantos anos tem pela frente (sei que não é ciência exata, que está nas mãos de outro Chefe). Depois dos setenta vá diminuindo o ímpeto. Muitas das coisas que você faz hoje, não fará mais, e muitas contas desaparecerão. Foque no básico. Um casa para
morar, um plano médico adequado, alimentação e lazer. Pronto, você verá que sua aposentadoria será suficiente. E a casa de praia e o sítio? Pense seriamente
em convertê-los em renda. Esse dinheiro patrocinará os gastos básicos que, com o passar do tempo, se transformarão nos gastos totais.
Em linhas gerais, os assuntos financeiros se resolvem assim, descapitalizando-se. Quanto melhor for seu plano, maiores são as chances de atingir sua meta. Porque não sair desse mundo como entrou? Se quiser deixar herança para seus queridos, inclua isso no planejamento, mas saiba que nada mais justo do que você usufruir daquilo que conquistou. Deixar que os herdeiros sejam produtivos é muito bom para
eles e para o desenvolvimento do país.
Vamos agora à melhor parte!
Acordar na hora que quiser. Fazer o que bem entender. Veja bem, eu disse fazer. Nada de ficar de pijama vendo TV. Preencha seu tempo de coisas prazerosas.
Vá caminhar, exercite-se sem preocupações de horário. Desista do trânsito. Faça uma oração pedindo por aqueles que nesse momento estão sentados naquelas reuniões em que chefes estrangeiros acham que podem resolver todos os
problemas do mundo se você fizer o impossível todos os dias.
Dedique-se com afinco a cuidar de você, da sua família, dos seus amigos. Visite seus netos, passeie com seu cachorro, leia sobre seu time na internet, veja os gols dele no último jogo, almoce comida caseira, tire um cochilo, vá exercitar-se de novo. Informe-se sobre tudo na internet e namore muito.
Muito profissionais acham que vão morrer se pararem de trabalhar. Acalme-se! Os dados mostram que morre-se muito mais trabalhando. O trânsito mata, stress mata, engolir sapo mata, reunião mata, chefe chato mata, rotina mata.
Faça da sua aposentadoria uma oportunidade única de atingir a excelência em total liberdade. Planeje a sua desde já e, quando chegar a hora, emocione-se por ter feito seu papel, por ter deixado um legado. Aí então vá curtir a vida, que é muito mais do que só trabalhar.