
A busca por eficiência, segurança e design no setor automotivo passa inexoravelmente pelo aço. A matéria-prima, vital para a indústria, também desempenha papel fundamental na evolução dos veículos. Como parte importante nesse segmento, a ArcelorMittal hoje está muito além de ser uma empresa de aço de alto valor agregado.
A empresa investe em tecnologia e estreita a relação com seus clientes para desenvolver cada vez mais produtos personalizados, de baixo custo e sustentáveis. Para tal, se vale de centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil e no mundo afora, e de trabalhos em parcerias com montadoras e fornecedores de autopeças.
“Estamos trabalhando muito internamente o foco do cliente como um dos atributos da nossa cultura, reforçando que é uma responsabilidade de todos da empresa e não só do time de vendas. Temos equipes ouvindo e entendendo as necessidades dos clientes para compreender o que, para eles, agrega valor ao produto final”, ressalta Bernardo Vasconcellos, gerente geral de Vendas Indústria da ArcelorMittal Aços Longos.
As várias frentes da ArcelorMittal
ArcelorMittal desenvolve e produz aços de acordo com as necessidades dos clientes e de seus projetosEssas estratégias abrangem todas as frentes de negócios da ArcelorMittal. Além de aços de diferentes tipos e resistências para os fabricantes de veículos, a empresa também fornece suas soluções para os mais diversos fornecedores.
Os produtos da companhia estão presentes desde o sistema de suspensão dos carros (feixes de molas, barras estabilizadoras, amortecedores, etc.), até nos encostos de cabeça dos veículos, no sistema de direção (volantes e eixo de direção), nas alavancas de câmbio, freio de mão ou mesmo nos arames dos bancos dos veículos.
“Um exemplo desta proximidade com o cliente é o trabalho em conjunto realizado entre o nosso time técnico e os fabricantes de suspensão, para pensar no melhor aço, que com o menor peso vai oferecer uma melhor resistência do conjunto, dentro das especificações e características de dirigibilidade que a montadora pede”, cita Vasconcellos.
O executivo lembra que a empresa tem aços patenteados e marcas registradas desenvolvidos do zero. “Trabalhamos a concepção do projeto para que consigamos ofertar soluções que deixem o veículo mais leve. Aços que podem ser de espessuras menores e com a mesma resistência, consequentemente, com menos peso e que vão resultar em veículos que vão emitir menos poluentes”.
Investimento pesado no Brasil
Para oferecer produtos cada vez mais personalizados, a ArcelorMittal vai investir cerca R$ de 8 bilhões nos próximos três anos no Brasil. O aporte será destinado às mais de 5 unidades da marca no país e também ao seu complexo de pesquisa e desenvolvimento localizado em Serra (ES).
Desta forma, a ArcelorMittal pretende aumentar sua capacidade produtiva de atuais 5 milhões de toneladas de aços longos anuais para 6,5 milhões. Metas que olham para a retomada do mercado brasileiro que, antes da pandemia, registrava 8 milhões de toneladas e no ano passado já passou das 10,5 milhões, e trabalha hoje com uma projeção de 11,5 milhões para 2022.
“A ArcelorMittal está reforçando o compromisso e a confiança no país. Por mais que tenhamos vivido tanta complexidade neste período delicado que foram esses últimos dois anos, enxergamos que, pensando nos próximos dez anos, o país vai continuar crescendo. É necessário esse investimento”, afirma Vasconcellos.
Aço “verde” e personalizado é resultado de pesquisa e inovação
Dentro dessa estratégia, a parte de pesquisa e desenvolvimento é fundamental. A unidade capixaba, que atende toda a América do Sul, é um dos 12 centros globais de R&D (pesquisa e desenvolvimento) que a ArcelorMittal mantém em todo o mundo, que reúne mais de 1.300 cientistas e trabalha justamente na busca por soluções personalizadas e eficientes para os clientes da companhia.
Em Minas Gerais, a ArcelorMittal estabeleceu uma parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e criou o Centro de Inovação ArcelorMittal Indústria (CIAMI).
“Junto com os cientistas do Senai Minas, desenvolvemos inovações e novos produtos para nossos clientes. Muitos dos projetos dessas demandas são levadas para dentro do CIAMI e feitas em conjunto. É o mundo acadêmico nos auxiliando nessas inovações”, conta Mauro Souza, gerente geral de Vendas Automotivas da ArcelorMittal Aços Planos.
Inovação, porém, não é um termo usado na ArcelorMittal apenas recentemente. A empresa foi pioneira ao criar o Açolab, primeiro laboratório de inovação aberta da indústria do aço, funcionando como um centro de inovação e de conexão que concentra um fundo de captação de R$ 100 milhões para startups que proponham soluções e atendam demandas da indústria.
ArcelorMittal é uma das líderes no desenvolvimento de “aço verde”
Uso de energias renováveis nos altos-fornos são algumas das iniciativas da ArcelorMittal na meta de ser neutra em carbonoAlém disso, a companhia é uma das líderes mundiais no desenvolvimento do chamado “aço verde”. São tecnologias empregadas em toda a cadeia de produção do aço na busca por minimizar impactos ambientais e atingir a descarbonização.
Iniciativas que fazem parte de dois compromissos importantes estabelecidos pela companhia. Um deles é o de ser neutra em carbono até 2050. A ArcelorMittal é pioneira, sendo a primeira siderúrgica a assumir o compromisso global de ser neutra em carbono até 2050. Além disso, prevê, já em 2030 atingir 25% de redução nas emissões de carbono de suas atividades em todo o planeta, com investimento global de US$ 10 bilhões e a fábrica da Espanha como a unidade modelo para produção exclusiva de “aço verde”, com zero emissão de carbono.
Ao mesmo tempo, a empresa lançou sua marca registrada XCarbTM, que traz produtos com zero ou baixa emissão de carbono, e dentro de três iniciativas:
- XCarbTM Green Steel Certificates: oferece aos clientes a oportunidade de comprar certificados vinculados à compra do produto aço, permitindo que possam relatar a redução nas suas emissões de CO2 Escopo 3 de acordo com o padrão GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard.
- XCarbTM Renewabe and Recycled: oferece aos clientes a oportunidade de comprar produtos produzido de forma reciclada e renovável, o que significa que no processo produtivo foi utilizado material reciclado (sucata) e eletricidade renovável, resultando em uma pegada de carbono extremamente baixa.
- XCarbTM Innovation Fund: fundo de inovação que irá investir até US$ 100 milhões por ano em empresas que desenvolvem tecnologias inéditas ou inovadoras para acelerar a transição da indústria do aço para uma fabricação de aço neutro em CO2. Para ser elegível ao fundo, a empresa precisa estar desenvolvendo tecnologias que ajudem a ArcelorMittal em sua jornada para a descarbonização. A tecnologia precisa também ser comercialmente utilizada em larga escala.
A ArcelorMittal também foi a primeira empresa de aço integrada no mundo a ter um projeto de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) aprovado pela UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) – a Convenção das Nações Unidas sobre Alterações estabelecida em 1994 – de cogeração de energia.
“Queremos liderar a transição da nossa indústria colaborando para o cumprimento dos objetivos do Acordo de Paris e garantindo que o aço seja o material de escolha em um mundo mais circular e de baixo carbono”, avisa Souza.
Muito além do “aço verde”: Certificações ambientais da ArcelorMittal
No Brasil, também são várias as frentes da empresa em busca de uma cadeia do aço mais limpa. Aumento do uso de sucata metálica e de gás natural (no lugar do carvão mineral) nos altos-fornos, substituição de combustíveis por outras com pegada menor de carbono e renováveis, estudos para aplicação do “hidrogênio verde” e melhorias no processo de carbonização para produção de carvão vegetal em sua unidade florestal.
Dentro deste processo, a unidade da ArcelorMittal em Tubarão (ES) é uma espécie de fábrica modelo. Foi a primeira do grupo nas Américas e fora da Europa a obter a certificação de sustentabilidade das operações pelos padrões da ResponsibleSteel™, organização mundial referência para a produção de aço de maneira responsável.
“Ela atesta a produção de aço de maneira responsável, de acordo com uma série de padrões de sustentabilidade ambiental, social e de governança (ESG). A conquista foi obtida após auditoria realizada em Tubarão pela DNV Brasil e o processo envolveu diversos stakeholders, incluindo empregados, órgãos de controle ambiental, lideranças comunitárias no entorno da empresa e outros”, conta Mauro.
A fábrica no Espírito Santo, contudo, é só a primeira de um processo gradativo. O objetivo, segundo Mauro Souza, é obter a certificação em todas as unidades do grupo no Brasil.
“A unidade de Santa Catarina já está em processo de certificação e é uma unidade que produz aço para atender especialmente ao mercado automotivo, eletrodoméstico, construção civil, entre outros. A unidade de João Monlevade, responsável pela produção de fio-máquina, também está em processo para adquirir a certificação. Já a área de mineração também busca certificação semelhante, focada no processo minerário, o IRMA (Iniciative for Responsible Mining Assurance)”, adianta o executivo.
Parceiros também na sustentabilidade
Relacionamento estreito com os clientes do setor automotivo é uma das premissas da empresaNesta logística, o grande desafio é movimentar toda a cadeia na busca por processos ambientalmente responsáveis em um cenário logístico complexo. Para tal, a ArcelorMittal se vale mais uma vez de sua relação estreita com clientes e fornecedores.
“Entendemos o quanto é desafiador buscar a sustentabilidade sem afetar a competitividade dos produtos, mas sabemos que a criação de sinergias com clientes e fornecedores possibilita alavancar uma produção sustentável visando a economia circular. E buscamos mostrar, com nossas ações e práticas, que é, sim, possível ser sustentável e competitivo ao mesmo tempo”, explica Souza.