
A exemplo do que aconteceu no Brasil com a aprovação, em 2018, do Rota 2030, a cadeia automotiva instalada na Argentina negocia com o governo a adoção do Plano Estratégico da Indústria Automotiva 2030, um programa para estimular o setor no país, com objetivo de adotar medidas para elevar a produção, exportação e competitividade de montadoras e autopeças.
Após 11 meses de negociações, o projeto foi apresentado em um seminário realizado em dezembro passado com a presença do novo presidente argentino, Alberto Fernandez, além ministros do governo, governadores, sindicalistas e representantes das montadoras e autopeças. Naquele primeiro encontro, Fernandez demonstrou seu total apoio à iniciativa do setor.
Após dois anos de crise econômica intensa que derrubou a produção dos fabricantes de veículos para menos da metade do que já foi no início da década passada, o setor demanda que a indústria automotiva seja considerada “estratégica” para o país, para que possa receber os estímulos necessários para garantir seu crescimento sustentável nos próximos anos.
Nesse sentido, os membros da cadeia de valor do setor (incluindo representantes das empresas e dos trabalhadores) negociaram o “Acordo Social e Produtivo do Setor Automotor Argentino”, já apresentado ao governo que tomou posse há apenas três meses, que servirá de base para a elaboração de um projeto de lei encaminhado ao congresso, com medidas para guiar e incentivar o desenvolvimento do setor automotivo como polo de exportação e atrair novos investimentos.
OBJETIVOS AMBICIOSOS
Segundo dados apresentados pela Adefa, associação que reúne os 12 fabricantes de veículos instalados na Argentina, a indústria automotiva é o setor industrial que mais recebeu investimentos nos últimos quatro anos (2017-2020), no total de US$ 5 bilhões no período. Entre os ambiciosos objetivos do Plano Estratégico 2030, está a ampliação desses aportes para US$ 22 bilhões na próxima década (boa parte poderá vir das matrizes regionais instaladas no Brasil), para quadruplicar a produção dos 314 mil veículos em 2019 para 1,8 milhão até 2030 e gerar exportações de US$ 46 bilhões. Isso, conforme calcula a Adefa, permitiria empregar 1,3 milhão de argentinos nas fábricas de veículos e componentes, o dobro do nível de emprego atual do segmento (650 mil empregados diretos e indiretos), e também dobraria a participação do setor no PIB industrial da Argentina, dos atuais 6,6% para 14%.
Em um novo passo no sentido de aprovar um marco regulatório para incentivar o desenvolvimento tecnológico do segmento, na terça-feira, 21, membros da direção da associação dos fabricantes de veículos, a Adefa, tiveram uma reunião com Roberto Salvarezza, o novo ministro argentino da Ciência, Tecnologia e Inovação. No encontro, os representantes da indústria apresentaram os principais temas da agenda do Plano Estratégico 2030.
“Neste momento de disrupção total que atravessa a indústria automotiva em todo o mundo, entendemos que podemos posicionar o país como um forte polo de transformação tecnológica e ser uma referência regional”, disse Gabriel López, presidente da Adefa.
O ministro concorda com a posição dos fabricantes e garantiu que o governo vai apoiar com recursos os projetos de desenvolvimento e inovação tecnológica do setor.
“Temos recursos e muita capacidade. Para isso devemos trabalhar em conjunto para saber quais são os nichos que podemos desenvolver localmente”, disse Roberto Salvarezza.