Desde o início deste ano o governo brasileiro passou a defender o fim deste sistema, com a adoção do livre comércio de veículos e autopeças entre os dois países sem cotas e nenhuma aplicação de imposto alfandegário, assim como previa o acordo original do Mercosul assinado em 1991, mas que no caso do setor automotivo já recebeu mais de 40 adendos imponto limitações comerciais, com interesses que flutuam de acordo com as crises econômicas vividas em cada lado da fronteira.
Em certas épocas, com o real excessivamente valorizado, era o Brasil que defendia o regime de cotas. Agora, com o câmbio mais favorável aos brasileiros e a queda do mercado doméstico que jogou nas alturas a ociosidade da indústria automotiva, são os argentinos que querem a limitação. “Entendemos que, tal como estão as condições hoje em ambos os países, não é o momento ideal para liberar completamente o comércio de veículos. Vamos propor que o sistema atual flex de 1,5 seja prorrogado por pelo menos mais um ano”, disse o secretário Etchegoyen ao Clarín. O regime já havia sido prorrogado por 12 meses em junho de 2014.
A luz amarela contra a liberação do comércio automotivo foi acendida logo após o governo Mauricio Macri eliminar as restrições alfandegárias que a gestão anterior impunha ao setor. Com isso, em janeiro e fevereiro deste ano as vendas de veículos aumentaram 30% no mercado argentino em comparação com o mesmo período do ano passado, mas a maior parte do crescimento foi da venda de carros importados do Brasil, já que as compras de produtos feitos na Argentina subiram apenas 2% no primeiro semestre.
Na mão contrária, as exportações de veículos argentinos ao Brasil não param de cair: após atingir o pico de 400 mil unidades em 2013, baixaram para 302 mil em 2014 e recuaram outros 33% em 2015, para pouco mais de 200 mil. Em janeiro e fevereiro, com o aprofundamento da crise econômica e a maior retração do mercado brasileiro, as vendas dos argentinos caíram ainda mais, 44% na comparação com o primeiro bimestre do ano passado. No sentido oposto, de 2014 para 2015 as montadoras instaladas no Brasil aumentaram em 5,5% suas vendas aos argentinos, de 255,5 mil para 270,2 mil.
Com a balança pendendo mais favoravelmente agora ao lado brasileiro, os argentinos preferem deixar seu mercado mais limitado aos carros brasileiros, que normalmente são modelos mais baratos do que os feitos na Argentina por uma questão de estratégia da maioria das montadoras que atua no Brasil e tem fábricas também no país vizinho.