
Uma inesperada reunião, informal, foi promovida por Automotive Business, colocando lado a lado o presidente da Dana, Harro Burman, e os diretores da ArvinMeritor, entre os quais Antonio Rossi, diretor de operações, Sílvio Barros, diretor de vendas e marketing para a América do Sul, José Manoel Fernandes, diretor de suprimentos, e Adalberto Momi, diretor financeiro.
Foi um encontro cordial entre representantes de duas empresas que estiveram envolvidas em negociações não muito amigáveis meses atrás, quando a ArvinMeritor fez uma tentativa de aquisição global da adversária. De lá para cá, muita água rolou. A Dana entrou no Chapter 11, a ArvinMeritor vendeu a maioria dos ativos na área de componentes para veículos leves. As duas empresas enfrentaram dificuldades equivalentes, especialmente no mercado norte-americano.
Não seria exagero dizer que as companhias estão mais próximas do que nunca, agora, no Brasil. Como concorrentes, claro. A ArvinMeritor entra no terreno da Dana, iniciando a produção de cardans em Osasco, SP, na mesma cidade onde a adversária tem operações. A Dana anuncia que atuará com força no segmento de eixos para veículos fora-de-estrada, que está nos planos também da ArvinMeritor.
As duas fabricantes de autopeças disputam palmo a palmo o mercado de componentes para veículos pesados no Brasil. A Dana continua no campo dos leves, que a ArvinMeritor preferiu deixar no Brasil ao vender as operações de rodas de aço, de Limeira, SP, para a Maxion.
O aquecimento do mercado e as dificuldades na área de suprimentos também colocam as duas empresas mais próximas no rol de estratégias a serem enfrentadas para colocar em dia a produção. “Faltam componentes no mercado. Temos corrido atrás de fornecedores para garantir entregas em dia e capacidade no atendimento de nossos pedidos” – disse José Manoel, preocupado com os aumetos de custos. Do outro lado, Burman concordou em gênero e grau, lembrando que há dificuldade a partir do suprimento de matérias-primas.
ArvinMeritor e Dana estão anunciando novos investimentos, quase ao mesmo tempo, para modernização de suas operações no Brasil. Também nesse ponto juntas, trazem boas notícias para o mercado local, que passará a contar com novos produtos e tecnologias para melhorar a oferta de componentes e sistemas destinados à produção de caminhões e ônibus.
Terça-feira, na abertura da Automec, as concorrentes visitaram o pavilhão de expositores chineses, onde estão empresas dispostas a avançar sobre seu mercado – pelo menos no aftermarket. Na área de O&M, o mercado tem donos — e não haverá alterações a curto prazo.