Segundo ele, a alta liderança, já envolvida nas transformações, vai aumentar ainda mais o engajamento daqui para frente:
“Temos agora um comitê executivo de diversidade que faz reuniões específicas para discutir o modelo de governança, com olhar para diversidade e inclusão, discutir indicadores, estratégia e ações. O assunto tomou uma proporção mais significativa”, disse Pereira.
O VP aponta ainda que a base da nova estratégia inclui “ajustar o modelo de governança olhando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, ampliar a escuta ativa dos grupos de afinidade e promover mais ações para garantir um ambiente inclusivo”.
Metas ambiciosas dentro do setor automotivo
As metas para liderança feminina são ambiciosas, mais altas do que a média do setor. As mulheres em cargos executivos e de gerência são 16% e 20%, respectivamente, de acordo com o estudo Diversidade no Setor Automotivo, da Automotive Business. Segundo o executivo, os objetivos da montadora, no entanto, foram definidos a partir de indicadores já acompanhados internamente e da vontade da organização de “fazer movimentos mais ousados”.
Desde 2017, a VW tem olhado para a representatividade feminina na liderança. Em 2020, a empresa tornou-se signatária dos WEPs (Princípios de Empoderamento das Mulheres), da ONU.
Apesar da captação de crédito atrelado a metas ESG, que inclui diversidade, a VW não terá um orçamento exclusivo para os projetos. “A área de RH tem ações que estão previstas no orçamento, mas não fez um modelo de consolidar todas as linhas de investimento de diversidade em uma única conta”, explicou Pereira.
“Talvez possamos fazer esse cálculo em algum momento, mas, de qualquer forma, a diversidade é um valor e, portanto, é transversal na organização. O tema precisa estar incorporado na condução e no investimento em todas as ações.”
Pereira prossegue: “Por exemplo, o nosso programa de trainee teve foco em recrutar talentos diversos, mas usamos para isso o mesmo investimento que destinaríamos para fazer um programa sem essa preocupação. Muitas vezes, é uma questão de readequar essa visão.”
Caminho para a diversidade
Pereira também explica que o road map de diversidade da VW vai envolver um censo interno para basear novas ações. O objetivo é ter métricas mais precisas de outros grupos, além de mulheres, incluindo pretos e pardos, LGBTI+, Pessoas com Deficiência (PCD), etc. Com as informações em mãos, a organização aponta que será mais preciso o desenvolvimento de políticas de inclusão e metas de diversidade.
Além disso, Pereira conta que as ações que já estão em curso tendem a passar por ampliação. Entre eles, os programas de sucessão de liderança feminina e desenvolvimento de carreira, lançados em 2021, serão fortalecidos, aponta o executivo. Além disso, ele conta que os processos seletivos da empresa garantirão equidade de oportunidades: “A Volkswagen passa a ser mais incisiva para garantir ao menos 50% de candidatas mulheres no short list [a lista final com os candidatos com maior potencial a uma vaga]”, garantiu o executivo.
O programa de trainee da montadora continuará com foco em diversidade – no ano passado, mais de 60% dos trainees eram mulheres e 40% eram pessoas negras. Está no radar, ainda, ampliar o programa de estágio 2022.
“Com o programa de mentoria feminina e a revisão de processos seletivos, em 2021, o número de mulheres gerentes e gerentes executivas aumentou de 9% para 13%”, disse o vice-presidente de RH.
Recentemente, a VW lançou também um “role model”, um catálogo de ações e comportamentos para lideranças engajarem seus times na transformação da cultura organizacional com olhar para diversidade e inclusão.
Os grupos de afinidade, formado por colaboradores, também serão uma parte essencial da jornada pela diversidade. A partir de uma revisão de processos, eles serão restruturados para atuar de forma integrada e transversal entre todos os eixos da diversidade, além de ser o principal canal para intensificar a escuta ativa em relação às demandas de cada grupo.
O vice-presidente de RH garante que, muito mais do que algo momentâneo ou de um conjunto pontual de ações, a busca por pluralidade é algo estratégico para o negócio da companhia:
“Diversidade e Inclusão é um tema extremamente relevante para a nossa jornada de transformação e para os resultados que queremos na América do Sul. A VW do Brasil quer ser protagonista”, disse Pereira.
Comunicação e conscientização para superar barreiras
A jornada da Volkswagen pela diversidade é ambiciosa, mas Pereira reconhece que até mesmo a mais progressista das empresas pode enfrentar barreiras e resistências internas ao tema. Segundo ele, é necessário impor o respeito como principal regra e destacar quue nem mesmo a crença individual de alguns colaboradores pode superar esse bem coletivo. “A diversidade é um valor da nossa empresa e apostamos na comunicação e conscientização dos colaboradores”, afirmou ele.

Nas redes sociais e comunicados internos, a empresa lança “pílulas de diversidade”, com discussões sobre questões de gênero, etnia, população LGBTI+ e pessoas com deficiência. A companhia também divulgou uma cartilha aos colaboradores. Outra ação é a capacitação sobre o tema para lideranças e a “Semana da Diversidade”, na qual o assunto é aprofundado com palestras e ações.
Além disso, há a preocupação de fazer com que o assunto vá além dos portões da montadora e chegue aos parceiros de negócio, com ações para levar conhecimento sobre diversidade aos fornecedores e, em 2021, o lançamento de uma cartilha de diversidade e inclusão para os concessionários Volkswagen.
Com a nova captação de crédito atrelada a metas ESG, a VW do Brasil elevou a aposta em relação à diversidade no setor automotivo. “Diversidade e inclusão é um tema complexo. Precisamos sempre buscar qualificação, ter escuta ativa com quem tem lugar de fala e trazer as pessoas para serem protagonistas dessa ação. Sem isso, podemos cometer erros tentando acertar”, afirma o executivo, admitindo que a jornada não é simples, mas que está confiante na promoção de mudanças para acelerar resultados.