
Durante o Automotive Business Experience – #ABX24, lideranças automotivas demonstraram preocupações sobre o futuro do setor automotivo. No o presidente da Nissan, Gonzalo Ibarzábal; o presidente da Renault, Ricardo Gondo; e a CEO da GTPW (Great Place To Work),Tatiane Shirazawa, compartilharam suas expectativas e receios.
Este foi o tema do painel “Como a liderança do setor automotivo prepara o futuro do segmento”, mediado pela editora-chefe da AB, Giovanna Riato. O debate levou em consideração a pesquisa “Liderança no setor automotivo”, feita por Automotive Business e MHD Consultoria. No estudo, apenas 35% da liderança se diz otimista com o futuro.
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– 5 impactos da inteligência artificial para profissionais do setor automotivo
Entre os profissionais da média gestão, o maior medo é transferir estresse e ansiedade para a equipe. Enquanto na alta gestão, o maior receio é não ser capaz de construir soluções a longo prazo.
É o que o presidente da Nissan descreve como o desafio de viver em dois planos, ou seja, olhar para a agenda imediata, mas sem perder de vista o médio prazo.
“Não conseguimos desenvolver times no curto prazo, de dois a três meses, vamos desenvolver em dois ou três anos, em linha com os investimentos que a indústria faz”, disse Gonzalo.
“Tem que gerir produtos, fornecedores e concessionárias sabendo que o hoje terá impacto em um ou dois anos”, completou.
Ricardo Gondo, presidente da Renault, concordou. “O curto prazo gera muita preocupação, muito estresse”, concordou o exectuvo, que se mostrou positivo: “Eu vejo com otimismo o futuro da indústria
automobilística.”
E a indústria nacional?
Em relação à indústria nacional, 70% acreditam que o programa Mover é bom para o setor.
“O Mover é positivo para a indústria, o que precisamos é ter regras claras para a gente saber onde o país quer ir e a gente se adaptar às novas regras”, destacou o presidente da Nissan.
Ainda de acrodo com a pesquisa da AB, o maior medo dos gestores é tomar decisões equivocadas em relação à descarbonização e a falta de relevância perante a indústria global.
Lideranças precisam se atualizar em IA
Cada vez mais presentes nos carros e na rotina de trabalho, a Inteligência Artificial ainda não é um tema dominado pelos líderes do setor: 33% reconhecem que precisam melhorar seu conhecimento em IA.
“Os líderes e gestores precisam aprender como aplicar a inteligência artificial no dia a dia, porque vai ter um crescimento no mercado e para todas as pessoas do setor”, afirmou Gondo.
Participação feminina cresce pouco
Já a representatividade feminina ainda é um desafio, apesar dos pequenos avanços entre 2021 e 2024. Segundo o levantamento da AB, na média gestão a presença delas cresceu de 15% para 28%. Na alta gestão foi mais tímido: de 7% para 10%.
Para Shirazawa, o problema se repete em vários setores. “Somente 13% das empresas GPTW tem CEO mulheres”. O caminho para mudar isso, segundo a executiva, é capacitar mais profissionais femininas. “A capacitação é o que os colaboradores mais querem, segundo as pesquisas da GPTW.”
E não só mulheres, mas todos os funcionários. “Coloquem sempre as pessoas no centro da estratégia, independentemente da transformação que aconteça”, disse Shirazawa. “Vemos que
empresas que cuidam das suas pessoas têm melhores resultados. Alcançam a maximização do potencial humano.”