
As montadoras de carro da Europa pressionam seus fornecedores para baixar os custos de produção. Tudo por conta da ascensão das marcas chinesas, como a BYD, que conquista mercado na região com seus preços bastante competitivos.
A tentativa, porém, pode esbarrar na capacidade dos próprios fornecedores em baixar seus custos. Desde a pandemia, várias empresas de pequeno e médio portes estão colocando seus funcionários em regime de layoff devido à queda na demanda por veículos.
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Deixar de participar de grandes eventos, especialmente os salões de automóvel, também é outra maneira de enxugar os gastos. Isso poderá ser visto na prática durante o Salão de Genebra, que voltará a acontecer pela primeira vez em quatro anos – período no qual a feira não foi realizada por causa da Covid-19.
Apenas três fabricantes de peso confirmaram presença no evento, sendo duas delas de origem chinesa. Além da Renault (a única grande marca europeia presente na mostra), as asiáticas SAIC e BYD estarão no autoshow suíço.
A Renault apresentará o elétrico R5, cujas linhas foram inspiradas no clássico Renault 5, enquanto a SAIC exibirá o híbrido M3. A BYD ainda não divulgou se terá novidades no salão.
Queda na demanda também afeta planos das marcas da Europa
Ao contrário das marcas europeias, que têm fornecedores com cadeias separadas para veículos movidos a combustão e elétricos, os chineses se valem de uma alta integração vertical em seus processos.
No país asiático, as empresas produzem quase todos os componentes em suas próprias instalações. Com isso, as montadoras conseguem reduzir custos.
Isso beneficia diretamente as marcas chinesas, que vendem carros elétricos a preços bem inferiores aos de seus concorrentes ocidentais.
Além disso, a queda na demanda por veículos elétricos atrapalhou os planos de vários fabricantes. Dados de mercado indicam que, na Europa, houve queda de 42,3% nas vendas de carros elétricos em janeiro, comparando com os números de dezembro.
Renault e Stellantis estão se desdobrando para tentar reduzir custos. O CEO da Stellantis, Carlos Tavares, alertou que, com 85% do custo de um carro elétrico relacionado aos materiais adquiridos junto aos fornecedores, será necessário tomar medidas mais drásticas.
“Estou traduzindo a realidade para meus parceiros: se você não fizer a sua parte do trabalho, então você se excluirá do processo”, declarou.
Corte de custos pode afastar fornecedores
Os preços de materiais essenciais para a construção dos veículos elétricos, como níquel e alumínio, também aumentaram à medida em que os países ocidentais ampliaram a lista de sanções contra a Rússia. Isso vem causando uma série de consequências em gigantes do setor de autopeças, como Continental e Bosch.
De toda maneira, outro efeito bastante temido da necessidade de cortar custos está em não se distanciar excessivamente de seus fornecedores para evitar perdê-los. É o que disse Philip Nothard, diretor de serviços da Cox Automotive, à agência “Reuters”.
“O risco acontece quando as montadoras europeias tentam e desgastam a relação com os fornecedores de forma excessiva, o que pode aproximá-los ou então fazer com que eles busquem novos mercados.”
