
O setor de autopeças, na opinião de Sigarini, é privilegiado por conseguir encontrar profissional qualificado da própria região em que a empresa está instalada. Mas é preciso a ajuda de universidades regionais e de outras instituições de ensino, como o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), para a indicação de jovens talentos. “Além das instituições, os próprios pais que construíram carreira em uma empresa têm o poder de descrever o clima de ambiente de trabalho e influenciar seus filhos a ingressarem nela”, aponta Sigarini.
Outro departamento que têm a missão de encantar talentos é o marketing. É o que tem sido feito na Meritor. De acordo com o diretor Roberto Lui, a empresa não é muito conhecida pelos clientes finais por produzir eixos e cardans. “A solução para mostrar que a Meritor é uma boa empresa para se trabalhar veio através do nosso pessoal de marketing, que criou campanhas para inserir o nome da companhia na comunidade, através de patrocínios, por exemplo”, comenta Lui.
CAPACITAÇÃO
Uma vez inseridos os novos profissionais, o departamento de recursos humanos vai contar com a assistência das áreas industriais para capacitá-los. “Na Schaeffler, temos programas de integração desenvolvidos em conjunto com gestores de cada área produtiva. Juntos, vamos preparar esse profissional dentro do tempo estabelecido pela nossa produção. Não podemos esquecer que nossa equipe tem de estar alinhada para atender também aos cronogramas de nossos clientes”, declara Oliveira. Na ThyssenKrupp, os programas de capacitação são definidos pela corporação, mas todos são obrigados a fazer funcionar os novos profissionais em seus setores. Enquanto na Meritor, cada funcionário novo conta com um tutor experiente para ensiná-lo.
Oliveira, da Schaeffler, lembra que pode haver vários programas diferentes de capacitação do trabalhador, mas se não houver líderes que motivem a equipe, a retenção do empregado fica muito mais difícil. “O ambiente proporcionado pela liderança interna contribui fortemente para o clima de atratividade e de retenção em qualquer empresa”, afirma Oliveira.
O profissional de RH conta ainda com a ajuda do sindicato dos trabalhadores para identificar quais são as dificuldades nas relações trabalhistas. Sigarini aponta: “O sindicato muitas vezes mostra soluções em momentos de crise. Faz com que os profissionais de recursos humanos entendam quais são as preocupações dos funcionários. Estudo do Ministério da Fazenda aponta que empresas brasileiras gastam muito mais com seguro desemprego do que se tivessem pagando apenas uma parte do salário pela hora não trabalhada.”