
“Queremos crescer mais do que o mercado global, com expansão em todas as regiões”, diz Stadler. A boa perspectiva é sustentada apesar de a empresa reconhecer que o cenário ainda não é de estabilidade para este ano. “As condições gerais para a indústria automobilística permanecem desafiadoras. Embora a economia global tenha crescido 2,7%, a situação de várias regiões importantes permanece desigual”, afirma o executivo.
Em 2014 a companhia alcançou seu melhor volume de vendas de todos os tempos, com 1,74 milhão de carros negociados globalmente, volume 10,5% maior que o registrado em 2013. O resultado rendeu faturamento de € 53,78 bilhões, com expansão de 7,8%. O lucro operacional, que contabiliza apenas a atividade principal da companhia, evoluiu expressivos 12,5% no ano passado, para € 5,99 bilhões. Já o lucro líquido teve alta de 10,3%, para € 4,42 bilhões. Com isso, a Audi foi a empresa do Grupo Volkswagen que mais contribuiu com os resultados positivos da companhia.
A Audi destaca que o aumento foi sustentado por consistente crescimento da demanda sobretudo do A3, beneficiado pela chegada da nova geração da versão sedã do modelo. Os SUVs Q3, Q5 e Q7 também tiveram bom desempenho.
Os negócios foram apoiados em ampla expansão do quadro global de funcionários da montadora, que elevou seu time em 7,7%, para 79,4 mil pessoas, e deve contratar mais 6 mil colaboradores em 2015, incluindo os trabalhadores que atuarão na linha de montagem brasileira, em São José dos Pinhais (PR).
Entre os mercados, a China mais uma vez puxou as vendas da companhia, com 578,9 mil emplacamentos e expansão de 17,7% sobre o ano anterior. A Alemanha absorveu 255,5 mil veículos da Audi, com alta de 2,2%. O ranking de maiores mercados da Audi traz em seguida Estados Unidos, Reino Unido e a França.
Apesar do volume baixo, de apenas 12,4 mil unidades, o Brasil ganhou destaque como o país onde a empresa registrou maior crescimento porcentual nos negócios, com evolução de 86,6% sobre 2013.
INVESTIMENTOS
Para Alex Strotbek, membro do conselho da organização responsável pela área de finanças, tanto 2014 como este ano são marcados por investimentos para estruturar a evolução da companhia no médio prazo. Prova disso é que a empresa aprovou o maior aporte de sua história, de € 24 bilhões até 2019. Deste total, 80% irão para as áreas de inovação e desenvolvimento de produtos.
Para este ano está programado lançamento mundial dos novos Q7, R8 e A4. Em 2017 deve chegar aos principais mercados o A8 com direção autônoma, importante salto tecnológico de médio prazo da companhia. O modelo rodará de forma independente em situações específicas, como em rodovias. O condutor assume o volante caso o sistema não tenha autonomia para administrar a situação.
Todas as montadoras avançam em pesquisas e se programam para a chegada de modelos autônomos. O anúncio da Audi é uma resposta ao projeto da Mercedes-Benz, de começar a vender carros com a tecnologia em 2020. A companhia informa que as primeiras unidades deverão chegar ao mercado com preço elevado, mas, à medida que o volume de produção crescer, os custos ficarão menores.
O investimento da Audi nos próximos anos também dará conta de ampliar a gama de produtos dos atuais 52 para 60 modelos. O aumento da oferta vai acontecer seguindo três tendências que a fabricante considera determinantes para os próximos anos: internacionalização, digitalização e sustentabilidade.
