
A vereadora Renata Falzoni (PSB) anunciou nesta terça, 22, o lançamento da Auditoria Cidadã da Estrutura Cicloviária de São Paulo. Esta é a terceira edição de um abrangente estudo que visa diagnosticar as condições da malha cicloviária da capital paulista.
As primeiras edições do estudo foram realizadas em 2018 e 2022 pela Ciclocidades (Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo).
Da rede cicloviária de 735,7 km, foram avaliados 715,3 km (97%) ao longo de seis meses por 164 ciclistas voluntários, que pedalaram mais de 1.500 km pela cidade. Eles geraram mais de 59 mil fotos geolocalizadas, que foram utilizadas para as análises.
Os resultados foram divulgados em um relatório no site da vereadora e em um mapa virtual que pode ser visualizado e filtrado de acordo com os pontos analisados.
Dos 19,8 km não avaliados, 4,9 km são por motivo de recapeamento, 12,8 km por inexistência do trecho (na maior parte dos casos, devido a um desenho incorreto de linha no mapa), 2,8 km por serem estruturas consideradas oficiais, mas que estão dentro de parques, e 0,7 km por serem pequenos trechos de travessia espalhados no mapa.
Boa parte da malha cicloviária está em estado regular ou bom
Pelo estudo, 82% da malha cicloviária de São Paulo se encontra em estado razoável/aceitável ou bom, enquanto 18% está em estado muito precário ou precário/ruim, requerendo manutenção urgente.
Foram analisadas 6.320 interseções (cruzamentos e relacionados) e observou-se que 78% encontram-se em estado razoável/aceitável ou bom e 22% estão em estado muito precário ou precário/ruim, que requerem atenção imediata.
Chamou a atenção dos pesquisadores que a maioria das interseções em boas condições encontra-se no centro expandido, enquanto a periferia concentra as mais mal conservadas.

Das interseções analisadas, 2.803 são semaforizadas (44,4%). Destas, praticamente a metade (51%) foi categorizada como segura dentro da ótica da travessia de ciclistas.
A outra metade (49%) pode gerar alguma situação de risco, seja por ausência de tempo semafórico dedicado para a passagem de ciclistas, por inexistência ou invisibilidade de foco semafórico para algum ou todos os fluxos cicloviários. Ou pelas duas condições anteriores ocorrendo simultaneamente.
Com relação à largura das estruturas cicloviárias, 83% da extensão podem ser enquadradas nas condições previstas no Manual de Sinalização Urbana da CET (desejável, mínima ou excepcional), enquanto 17% têm largura mais estreita do que o previsto nas normativas e requerem adequação de projeto.
Os pesquisadores destacam a quantidade de estruturas que estão na faixa de largura considerada “excepcional” (38%), ou seja, cujo estreitamento é (ou deveria ser) justificado pela existência de interferências ou elementos que não permitem a adoção da largura mínima. Segundo eles, é preciso reavaliar parte desses trechos e reconfigurá-los para que atendam a largura mínima.

“É um levantamento completo que nos dá argumentos, ferramentas e principalmente dados pra gente sentar com a Prefeitura e demandar soluções”, afirmou Renata Falzoni em suas redes sociais.
Na introdução do relatório, a equipe ressalta que o objetivo do estudo é gerar insumos que possam não apenas ajudar a manter as estruturas em boas condições, mas também mostrar caminhos que aumentem sua segurança.
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Ainda de acordo com o documento, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) se prontificaram a receber o levantamento e considerá-lo nas metas de manutenção da rede cicloviária previstas no Programa de Metas da atual gestão municipal.