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Aumento da cilindrada de motos é tendência no Brasil

Está aumentando a cilindrada na frota de motocicletas brasileiras. Mesmo que lentamente, o fato já é sentido nas concessionárias e nas montadoras do setor de duas rodas. Com isso, as importadas também já registram aumento do volume de vendas no País.
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Redação AB

21 jan 2010

3 minutos de leitura

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“As motos de alta cilindrada estão chegando com um preço bastante interessante”, afirmou Vitor Meizikas, da Molicar, lembrando que o fato pode pressionar as fabricantes instaladas no País.

Para o consultor do setor automotivo, enquanto grande parte das marcas instaladas na Zona Franca de Manaus retrocedeu em relação a lançamentos no mercado brasileiro — por conta da queda de 16% das vendas durante o ano passado na comparação com o ano anterior –, as importadoras reagiram da forma oposta.

A BMW, por exemplo, ao contrário do registrado no mercado geral de duas rodas, conseguiu apresentar crescimento de 15% no ano passado. Para 2010 a perspectiva é ainda mais positiva. Depois de começar a produzir em dezembro do ano passado o modelo de 450 cc G650 GS na fábrica da brasileira Dafra, na Zona Franca de Manaus, a projeção é comercializar durante o ano, no mínimo, mil motos a mais do que em 2009.

“As vendas começam em março desse ano. A moto custará R$ 29,8 mil e entraremos em um segmento totalmente novo para nós”, salientou o diretor da BMW Motorrad, Rolf Epp. As motos da BMW negociadas hoje no Brasil custam acima de R$ 50 mil. Além desse modelo fabricado em solo brasileiro, o executivo adiantou a Automotive Business que chegará em abril ao Brasil a superesportiva S1000 RR, essa produzida em Berlim, Alemanha. “Essa é a primeira desse segmento que a BMW irá oferecer”, afirmou.

Mercado

Essa tendência de mercado também é observada pela Abraciclo, entidade que representa os fabricantes de motocicletas. O diretor-executivo da entidade, Moacyr Alberto Paes, lembra, no entanto, que o segmento é ainda pouco representativo dentro das vendas totais no País. Segundo levantamento da própria Abraciclo entre as associadas, as vendas de motos de 101 cc a 150 cc tiveram a participação de 84% das vendas no ano passado. Já as que ficam na faixa acima de 401 cc conquistaram uma fatia de apenas 2%.

“As motos de baixa e média cilindrada já estão supridas com a produção nacional”, afirmou Paes. O número não contempla as motocicletas importadas.

Incentivos

O balanço do mês de janeiro será determinante para as fabricantes decidirem se irão pleitear junto ao governo federal a manutenção dos incentivos para o setor. Até março as motos de abaixo de 150 cilindradas terão alíquota zero de Cofins. A Caixa Econômica Federal também liberou em dezembro R$ 3 bilhões para o financiamento de motos. “Ainda é prematuro avaliarmos como está o mercado. Estamos acompanhado de perto”, afirmou Paes.

Mesmo com a queda do mercado de duas rodas no ano passado e com os incentivos valendo só até o fim de março, há nove projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus em andamento. Procurada, a assessoria de imprensa da Suframa informou que não há nenhuma notícia de desistência de instalação dessas companhias desde o início da crise econômica. Além delas, já estão em fase de implantação as plantas da MTD Motor da Amazônia e da CR Zongshen, chinesa que no ano passado adquiriu a brasileira Kasinski.


Foto: divulgação/BMW