Pesquisa realizada durante o II Fórum da Indústria Automobilística, que ocorreu no Golden Hall do WTC, em São Paulo, nesta segunda-feira, 11, apontou as dificuldades do segmento de autopeças na atualidade. Custos em alta, falta de recursos para investimentos em tecnologia e inovação, dificuldades com mão de obra, entre outros, foram alguns dos temas colocados pelos especialistas que participaram do painel “Autopeças: propostas para sair do xeque”.
A maior surpresa, na opinião de Vagner Galeote, presidente da SAE Brasil, foi a falta de recursos para investir em produtividade e inovação. Segundo a pesquisa, 32,1% dos executivos dizem não ter recursos para aplicar em tecnologia e inovação.
“Não vejo como melhorar a competitividade sem investimentos. Essa posição de investir em curto prazo tem de mudar. Não vemos isso como sustentável. É preciso investir com olhos de quem acredita em um crescimento do País nas próximas décadas”, afirmou Galeote.
Na sequência, o executivo foi alertado pelo presidente do Sindipeças, Paulo Butori, sobre as dificuldades no cumprimento dos contratos entre os fornecedores menores e as montadoras.
“Empresas de segundo e terceiro níveis têm bastante dificuldade de fazer investimentos e ter retorno em longo prazo. Sofrem ainda, depois que investem, pressões ou até mesmo cancelamentos de contratos por conta da concorrência de fornecedores estrangeiros”, ressaltou Butori.
Nos outros temas abordados pela pesquisa, ficou clara a dificuldade do setor no País. Conforme os resultados da enquete sobre a capacidade de atendimento a um volume de produção de 5 milhões de unidades entre Argentina e Brasil, 41,9% dos executivos presentes disseram acreditar que haverá gargalos no fornecimento dos componentes para a indústria. Outros 29,7% afirmaram que serão necessárias importações para atender à demanda e 24,3% acreditam que a indústria de autopeças tem capacidade para tal volume de produção.
No caso da importação de autopeças, a maioria esmagadora, 74,4%, disse acreditar que o déficit da balança comercial do segmento irá aumentar ao longo de 2011, superando o resultado do ano passado, US$ 3,54 bilhões.
Em relação aos custos de produção, há outro um dado que expõe as dificuldades das autopeças: mais de 77% dos executivos presentes acreditam em uma alta generalizada dos preços de serviços e matérias-primas.