
Ao lado de outras 15 entidades de classe, o Sindipeças — Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores entregou ao governo federal, no início do ano, as principais reivindicações do setor para melhorar a competitividade da produção de autopeças no País. A revelação foi feita durante o Painel Autopeças: propostas para sair de xeque”, durante o II Fórum da Indústria Automobilística, realaizado em São Paulo nesta segunda-feira, 11.
Entre os principais temas propostos pelo Sindipeças estão custos trabalhistas, financiamento de longo prazo para ganhos de produtividade, revisão da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e normatização pelo Inmetro para garantir a qualidade das importações realizadas pelas empresas brasileiras.
Segundo o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, o documento entregue ao governo aponta os principais problemas que podem ser minimizados em curto prazo para melhorar a competitividade das autopeças produzidas no mercado interno. Um trabalho mais de longo prazo, com o objetivo de integrar um plano mais ambicioso para a indústria nacional, de acordo com o executivo, será apresentado mais adiante.
“Trata-se de um documento fácil, com cinco ou seis itens, pois sabemos da urgência com que eles devem ser encarados pelo governo”, afirmou.
Outra sugestão feita ao governo diz respeito aos financiamentos aos fornecedores classes dois e três, que contam com poucas garantias para conseguir empréstimos dos bancos. “Sugerimos um fundo garantidor, nos moldes do PróCaminhoneiro do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para avalizar os empréstimos dessas empresas”, disse.
Segundo Butori, o governo entendeu a urgência das solicitações e está conversando com o setor para buscar soluções. “O governo está muito interessado em ajudar a indústria manufatureira. Sabe que as commodities vão bem, mas que a situação das manufaturas é bastante complicada”, resumiu.
No que diz respeito à revisão das regras da NCM, Flávio Del Soldato, diretor da Automotiva Usiminas e membro do Conselho de Administração do Sindipeças, informou que o setor acredita que a redefinição dos critérios pode tornar mais clara a classificação dos componentes que circulam pela região. “Evitaria boa parte dos casos em que a classificação vem como ‘outras’”, acrescentou.
A medida também inibiria a chamada triangulação, que significa a importação de componentes de países que não têm acordo automobilístico com o Brasil nas condições exclusivas aos países-membros. Ou seja, um componente importado da China pela Argentina, por exemplo, seria mais bem identificado na hora de ingressar em território brasileiro.
“A dificuldade que o Brasil tem é que não há controle sobre as importações. E existem diversas maneiras de diagnosticar o que é conteúdo local e o que não é. Significa uma barreira não tarifária”, disse Letícia Costa, sócia da Prada Assessoria.
O Sindipeças volta a conversar sobre o tema no dia 4 de maio, quando tem encontro marcado com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Dias depois haverá uma reunião com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
As conversas devem coincidir com a entrega das propostas para melhorar a competitividade da indústria automobilística elaboradas pela Anfavea.
Letícia Costa, sócia-diretora da Prada Assessoria (foto: Ruy Hizatugu)