O Sindipeças estima que a receita acumulada até final de março estará 29,2% abaixo do que entrou em caixa no mesmo período do ano passado. “Embora haja sinais de retomada, é preciso lembrar que as montadoras ficaram com estoques de veículos prontos e até de componentes. Só agora as encomendas aos fornecedores estão voltando, em ritmo forte” – explica George Rugitsky, conselheiro da entidade e presidente da Freudenberg-Nok.
Para os fabricantes de autopeças o mercado de reposição tem compensado parcialmente a perda de receita em outros segmentos. Responsável por 15% das vendas do setor, o aftermarket vem avançou 10% a 15% no faturamento de novembro a fevereiro. As exportações representam 20% da receita e as montadoras 60% – o restante são trocas intersetoriais.
Rugitsky entende que além do incentivo da redução do IPI a indústria automobilística precisa de crédito, tanto para a gestão de operações quanto para o financiamento no varejo. Ele garante que não há sinal do dinheiro anunciado pelo governo, seja por meio do Banco do Brasil, Nossa Caixa ou BNDES, e há inúmeras exigências que tornam uma novela a solicitação de recursos.
Paulo Butori, presidente do Sindipeças, não ficou surpreso com a queda significativa do PIB no último trimestre de 2008. “O setor já sabia que as coisas iam mal para a indústria” – assegura. Ele acha que a queda da Selic em 1,5 ponto foi boa iniciativa, mas demorou a chegar. “A inflação será bem menor do que os 5% estimados. A taxa de juros precisa cair. Estaria de bom tamanho entre 8% e 9%” – afirma. Quanto ao crédito para o setor, ele não economiza adjetivo: “o problema é assombroso”.
Butori entende que o volume de crédito na praça pode até ter aumentado, mas o dinheiro não chega às médias e pequenas empresas. As grandes companhias se adiantaram em levar os recursos que, em muitos casos, alimentam o caixa no exterior. “O fluxo de caixa é a grande questão a ser equacionada por todas as empresas do planeta” – afirma.
E quanto aos investimentos em 2009, serão mantidos? Butori está seguro de que as empresas de autopeças já decidiram pelo corte. “Será de pelo menos 50%, como indicam nossas pesquisas setoriais. Serão preservados os projetos considerados estratégicos”. O Sindipeças registrou aplicações de US$ 1,6 bilhão no ano passado.
Depois de ampliar o saldo comercial negativo para US$ 2,5 bilhões em 2008, ante o déficit de US$ 840 milhões em 2007, o setor de autopeças espera por mais um saldo “desastroso” em 2009, segundo Butori, que vê como causa não só o choque externo de demanda, mas também vulnerabilidades locais que podem levar a um aumento das importações.
E os governos estaduais, o que esperam para ajudar?
Para os dirigentes do Sindipeças o governo federal demora nas ações, traça programas que não avançam e nem sempre deixa claras as condições para orientar os empresários. “Mas faz algo pelo setor, sabendo muito bem que está garantindo empregos e apostando no futuro. Já os governos estaduais estão quietos, sem iniciativa e se aproveitando das iniciativas federais” – afirma Paulo Butori, presidente.
O dirigente lembra que no passado o ICMS chegou a ser recolhido 150 dias depois da venda, com inflação equivalente à atual. Hoje esse prazo é dez vezes menor e o vendedor tem que esperar quase dois meses para receber do cliente o valor da mercadoria.