
Nos bastidores havia expectativa de uma queda em duas etapas de igual intensidade – uma imediata e outra seis meses após a vigência da medida. O fim do desconto é apenas uma parte das preocupações do setor, que refaz estratégias de produção e compras externas.
Junto com a eliminação do desconto, que devolve as alíquotas de importação para o nível de 14% a 18%, virão discussões para a preparação das listas de exceções na compra de componentes e sistemas estrangeiros sem similar nacional, oriundos de países com os quais o Brasil não mantém acordos. A relação deve resultar de negociações penosas e demoradas entre governo e as associações de classe das montadoras e fabricantes de autopeças – a Anfavea e o Sindipeças.
A lista de exceções traz impactos importantes na vida das empresas. A BorgWarner, por exemplo, avalia o projeto de construir uma fábrica para caixas de transmissão 4×4 em função do status da similaridade. Se a relação considerar que a caixa da marca será uma referência nacional, vedando importação sem tributos, a fábrica sairá com mais facilidade.
O setor de autopeças e seus parceiros na cadeia de produção automotiva já sabem que apenas questões tarifárias não serão decisivas para trazer os ganhos de competitividade que o Brasil exige. Medidas protetivas na alfândega serão como uma aspirina para o doente – baixam a febre, mas a causa permanece. “Permitem apenas ganhar tempo para o setor reagir e se aparelhar para competir” – entende Iezzi Jr.