“A indústria de autopeças passa por uma situação gravíssima porque já tem empresário querendo demitir”, afirmou. De acordo com Torres, se forem considerados também os empregos indiretos da cadeia automotiva, o número de postos em perigo chegaria a 90 mil. “O empresário quando chega ao ponto de demitir é porque está sofrendo há algum tempo”, disse. “Estamos tentando esgotar as ferramentas existentes para evitar demissões”, afirmou, referindo-se à concessão de férias coletivas ou redução da jornada de trabalho em troca da manutenção de empregos.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, compartilha a preocupação. “Se em junho o cenário continuar ruim, a onda de demissões já deve começar”, prevê.
Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que a produção de veículos caiu 15,5% em abril em relação a março e 7,5% ante o mesmo mês de 2011. As vendas no mercado interno recuaram 14,2% em abril ante março e 10,8% em relação a abril de 2011, o que elevou os estoques para 43 dias de vendas.
RECURSOS ESGOTADOS
Para Nobre, os mecanismos utilizados para evitar demissões nas montadoras, como férias coletivas, redução de jornada e utilização de banco de horas, são mais limitados nas empresas de autopeças, por serem de menor porte. “Grandes empresas têm fôlego para dar férias coletivas e interromper a produção, o que não acontece com as pequenas companhias.”
O Conselho de Competitividade do Setor Automotivo, que faz parte do programa Brasil Maior do governo federal, deve se reunir daqui a 15 dias para discutir a crise do setor, segundo o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Paulo Cayres.
Torres, da Força Sindical, acredita que a indústria vai se recuperar a partir do mês que vem. “A ameaça causada pelos produtos importados está freando e os bancos privados vão baixar os juros”, disse, ao lembrar que os sindicatos vêm mantendo contato tanto com as empresas como com o governo federal em busca de soluções para a crise. Cayres acredita que o País retomará o crescimento a partir do segundo semestre. “Precisamos utilizar os mecanismos existentes para segurar os empregos até o segundo semestre, quando o País deve retomar o crescimento”, afirma.