|
|||||||||||||||||||||||||||
Mônica Ciarelli, da Agência Estado
O avanço da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no capital da Usiminas causa certo “desconforto”, mas não chega a preocupar o presidente da empresa mineira, Wilson Brumer. Segundo ele, as chances da siderúrgica de Benjamin Steinbruch conseguir espaço no bloco de controle da Usiminas são pequenas. “É lógico que esse discurso causa desconforto, o tempo todo ficar discutindo esse tema”, afirmou o executivo.
Steinbruch reiterou nesta semana o interesse em comprar a fatia da Camargo Corrêa ou da Votorantim no capital da aciaria mineira. Além das duas empresas, o bloco de controle da siderúrgica mineira é formado também pela Nippon Steel e pelo clube de empregados da empresa. Diante das investidas da CSN, os sócios controladores renovaram em fevereiro o atual acordo de acionistas até 2031. Para Brumer, a decisão é um sinal claro que não há espaço para a companhia Steinbruch no bloco de controle da Usiminas.
Brumer argumentou que se a Camargo ou Votorantim deixarem a companhia, a Nippon Steel já manifestou interesse em comprar essa participação. “A Nippon Steel está na Usiminas há 50 anos, desde a sua fundação. Já falou que vai exercer o direito de preferência se algum dos outros sócios venderem, por isso vejo essas compras (de ações pela CSN) como um investimento financeiro”, afirmou.
Com cerca de 10% das ações ordinárias e 5,25% das preferenciais da Usiminas, a CSN está perto de pleitear um assento no conselho de administração da concorrente mineira. Pela Lei das sociedades anônimas, é necessário ter 15% das ações ordinárias e 10% das preferenciais para eleger um membro no conselho de acionistas. “Se ele (Steinbruch) tem o objetivo de chegar lá não podemos fazer nada, as ações estão no mercado”, disse Brumer.
Caso Steinbruch consiga mesmo um assento no conselho, Brumer pondera que o representante escolhido pela CSN terá de se retirar das reuniões quando forem debatidos temas que remetam a um possível conflito de interesse, como formação de preços mem relação à concorrência, por exemplo. O executivo lembra que já passou por situação semelhante quando era presidente da mineradora BHP e participava do conselho da Vale: “Tomava mais cafezinho do que assistia a reunião”, brincou.
Vendas
Durante encontro promovido pela Apimec-Rio na quinta-feira, 7, Brumer reafirmou a estratégia da Usiminas de priorizar no mercado interno. A meta da companhia é destinar apenas 15% das vendas para exportação por conta do excedente de oferta de aço no exterior. “Vamos reduzir ao máximo. Não adianta exportar com prejuízo, com esse câmbio e esses custos”, disse. O executivo deixou claro que prefere cortar produção do que exportar com prejuízo.