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Foto: Da esquerda para a direita, Gábor Deák, da Delphi, Maurício Muramoto, da Continental, e Alfeu Dória, da Visteon, em painel no simpósio Novas Tecnologias na Indústria Automotiva, realizado pela SAE Brasil.(Ruy Hiza)
Giovanna Riato, AB
Os carros do segmento B (hatches compactos e suas derivações) serão o principal foco do avanço tecnológico da indústria automotiva brasileira nos próximos anos. A conclusão é dos representantes das empresas que fornecem os principais sistemas desses veículos. Eles participaram de painel durante o simpósio Novas Tecnologias na Indústria Automotiva, realizado pela SAE Brasil em São Paulo, na segunda-feira, 26.
Para os executivos da Delphi, Visteon e Continental presentes na discussão, agregar tecnologias aos veículos compactos é o único caminho para que o Brasil reverta a rápida expansão das importações. Na opinião deles, a inovação não deve chegar ao mercado apenas nos modelos topo de linha, mas principalmente nas categorias com preços menores.
Gábor Deák, presidente da Delphi para a América do Sul, destacou que as exportações brasileiras têm como destino apenas o México e os países da América do Sul. Por outro lado, as importações chegam de diversas regiões, incluindo China e Coreia. “Afinal, existe algum mercado que não seja capaz de produzir um carro que possa competir no Brasil?”, provocou, lembrando que a participação dos importados nas vendas internas saltou de 7% em 2006 para quase 25% nos primeiros meses de 2012.
O executivo destacou que o mercado nacional poderá crescer em torno de 6% por ano até 2015, impulsionado pelo avanço da classe média. O momento, ele avalia, é ideal para agregar conteúdo tecnológico aos carros. “Além de conquistar o consumidor local, temos o desafio de produzir veículos que possam ser vendidos internacionalmente também”, diz. Essa evolução nos produtos, contudo, deverá seguir o caminho de adaptar as inovações globais para o mercado local, garantindo preço compatível ao cliente brasileiro.
REGIME AUTOMOTIVO
Deák avalia que o aumento de 30 pontos porcentuais no IPI de carros importados não será capaz de estimular a indústria nacional. “Sobretaxar não vai resolver. Já vimos que as vendas de modelos produzidos no exterior não diminuíram no primeiro bimestre deste ano. Precisamos incentivar a inovação”, acredita.
Alfeu Dória, presidente da Visteon Brasil, aponta que “o Brasil não merece mais carros básicos, é preciso incluir novas tecnologias”. Para ele, os avanços devem ser perceptíveis ao consumidor, agregar valor ao produto. O executivo trabalhou por sete anos na China e chamou a atenção para o forte potencial do país asiático. A produção de veículos na região saltou de 700 mil para 7 milhões de unidades anuais no período em que Dória viveu lá. “O chinês é extremamente rápido e faz lançamentos em tempo recorde”, alertou.
O executivo afirma que as próximas medidas do regime automotivo brasileiro, que devem ser anunciadas no início de abril, precisarão incentivar a venda de carros produzidos no País, ampliar a pesquisa e o desenvolvimento e estimular a demanda por fornecedores locais. “Provavelmente teremos de voltar a produzir aqui componentes que eram importados”, prevê. Entre os desafios projetados está a necessidade de garantir flexibilidade aos volumes de produção e de entender a cultura dos novos players, vindos principalmente da Ásia.
Mauricio Muramoto, presidente da Continental para a América do Sul, explica que a principal tendência na indústria é agregar comunicação e informação no veículo. “As empresas que atuam no mercado brasileiro precisarão solucionar a equação de como fazer isso sem extrapolar os limites do bolso do consumidor local”, avalia.
Assista abaixo a entrevista exclusiva de Gábor Deák, da Delphi, para a AB WebTV:
