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BAIC descarta CKD, escolhe parceiro e desenha fábrica no Brasil

Montadora adotará importação peça a peça na primeira etapa da produção e deve compartilhar estrutura logística com a Foton

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Bruno de Oliveira

18 ago 2026

3 minutos de leitura

A BAIC vai revelar em setembro onde produzirá veículos no Brasil. De acordo com Oswaldo Ramos, COO da empresa no país, o local da produção já foi definido e contará também com investimento de um parceiro local, além de recursos da matriz chinesa.

O executivo falou com a reportagem na terça-feira, 18, durante o Congresso Fenabrave, realizado no SP Expo, em São Paulo (SP).

“CKD e SKD [kits de peças importados] não fecham a conta no longo prazo por causa do imposto de importação, por isso optamos para uma primeira fase do cronograma de produção no país realizar a importação no esquema peça a peça, recolhendo a alíquota por unidade”, disse Ramos.

Esse esquema é similar ao praticado pela GWM na fábrica de Iracemápolis (SP). Ramos, inclusive, foi COO da montadora antes de assumir o comando das operações da BAIC.

“A matriz está avaliando o valor do investimento que será feito por aqui. Os representantes chineses têm em mãos todo o levantamento que fizemos a respeito de locais para comprar ou para alugar no país. Faz mais sentido essa associação com parceiro que já tem essa estrutura pronta e em operação”, revelou o executivo.

Por ora, no Brasil, apenas o Polo Automotivo do Ceará (Pace), controlado pela Comexport, conta com tais instalações. Mas a reportagem de AB apurou com fontes do mercado que grupos de investidores estão prospectando junto às marcas chinesas oportunidades para explorar esse mesmo nicho da Pace, o da montagem terceirizada de veículos.

Ainda de acordo com o executivo, a BAIC deverá compartilhar com a Foton o centro de distribuição de peças em São Paulo. Ambas empresas fazem parte do mesmo grupo.

Uma produção compartilhada no mesmo site pelas empresas está descartada. A Foton produz caminhões na fábrica da Agrale no Rio Grande do Sul.

“Na China temos parcerias com a Hyundai e com a Mercedes-Benz. A Hyundai aqui no Brasil não tem espaço [para compartilharinhas com a BAIC]. A Mercedes, bem, a GWM já comprou a fábrica que era deles”, disse Ramos.

A montadora vai revelar na semana que vem, no Festival Interlagos, os modelos com os quais vai iniciar a operação comercial no país. Ramos informou que eles se enquadram em três segmentos: o de SUVs offroad nas configurações 4×2 e 4×4, SUVs urbanos e crossovers. Todos com versões elétricas e híbridas.

A rede de concessionários ainda está sendo montada pelo COO da BAIC, que tem no currículo uma longa passagem pela área comercial da Ford, à época em que a empresa mantinha fábrica em São Bernardo do Campo (SP). A ideia é que sejam 200 pontos de venda, segundo o executivo, com ampla capilaridade nacional.

Enquanto não começa a produção local, e com os modelos ainda ocultos por trás do biombo corporativo, a BAIC corre para compor seu quadro de profissionais na operação brasileira.

De acordo com Oswaldo Ramos, até o final do ano o quadro deverá contar com 75 funcionários, dentre profissionais da área administrativa, comercial e de engenharia. Com o aumento do tamanho do time, a sede da companhia deverá se mudar do endereço atual, em prédio comercial no bairro da Barra Funda, na capital paulista, para um espaço maior em local ainda indefinido.

BAIC projeta avanço dos elétricos chineses no Brasil

A expectativa de crescimento da operação da BAIC no Brasil se dá, de certa forma, na projeção que o próprio COO fez para o mercado nacional de veículos, baseada em estudos e estatísticas.

Na visão do executivo, os veículos elétricos chineses responderão por 52% do mercado brasileiro de modelos zero quilômetro.

“Isso só vai acontecer por causa da reação lenta das montadoras tradicionais. As matrizes estão demorando para investir e, quando o fazem, chegam aqui produtos com tecnologias já defasadas, infelizmente”, contou Ramos.