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Agência Estado
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central surpreendeu o mercado e cortou a taxa Selic em 0,75 ponto porcentual, para 9,75% ao ano. Com isso, elevou o ritmo de queda do juro básico da economia, iniciado em agosto, quando a taxa havia sido reduzida em 0,5 ponto.
A decisão anunciada na noite da quarta-feira, 7, superou a previsão da maior parte dos analistas financeiros. De acordo com levantamento do AE Projeções, serviço da Agência Estado, de 75 instituições financeiras consultadas, 72 esperavam queda de 0,5 ponto porcentual, só duas apostavam em corte de 0,75 ponto e uma em 1 ponto.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 17 e 18 de abril. A ata da reunião desta semana será divulgada pelo BC na quinta-feira próxima, dia 15 de março.
REAÇÕES
Apesar do corte maior do que o esperado, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), considerou “tímida e insuficiente” a redução da Selic. Em nota, Paulinho atribuiu o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado ontem e avaliado como “pífio”, aos juros elevados. “Um pouco mais de ousadia traria enormes benefícios para o setor produtivo, que gera emprego e renda e anseia há tempos por um crescimento expressivo da economia. É um absurdo esta mesmice conformista dos tecnocratas do Banco Central”, afirmou, em nota divulgada à noite. “Juros altos são sinônimos de estagnação. Insistimos que a manutenção dos juros em patamares tão altos contraria qualquer projeto que estimule a retomada do crescimento econômico.”
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) avaliou como “muito positiva” a redução da taxa Selic. Em nota, a confederação diz estimar que trata-se apenas do primeiro passo “no sentido de consolidar uma política fiscal que impulsione a retomada de um crescimento econômico mais vigoroso e de longo prazo”.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) comemorou o corte do juro: “A decisão do Copom de ampliar o ritmo de redução da Selic é indispensável para enfrentar o quadro atual de enfraquecimento da atividade econômica brasileira”, citou a entidade em nota. Mas a CNI avalia que a Selic pode cair ainda mais: “Há necessidade imediata de novas reduções. A inflação está em desaceleração e a indústria precisa de ações urgentes para recuperar o ritmo da atividade. Uma queda mais incisiva dos juros também contribuirá para amenizar as pressões sobre a moeda brasileira, valorizada pela maciça entrada de capitais de curto prazo no País.”
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) considerou que a redução de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic é bem-vinda, mas chega atrasada e é insuficiente para impulsionar a economia do País. “Depois de um 2011 decepcionante, com a indústria de transformação estagnada e crescimento de 0,1%, 2012 começa confirmando tendência negativa e não ensaia melhora”, disse em nota o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, citando em seguida o resultado da Produção Industrial Mensal, divulgada também na quarta-feira pelo IBGE, que mostrou queda de 2,1% em janeiro ante dezembro.
Diante do quadro, Skaf afirma que a redução dos juros e a adoção de medidas setoriais isoladas são inócuas para devolver a competitividade ao Brasil. “O governo precisa implantar um conjunto de medidas que seja capaz de mudar qualitativamente a situação da indústria. Precisamos de ações imediatas para recuperar a competitividade brasileira em relação ao câmbio, juros, custo de energia e infraestrutura para que o nosso País pare de exportar empregos.”