
Principal agente de financiamento das vendas dos carros Renault e Nissan no Brasil, com carteira de R$ 9,7 bilhões em contratos ativos e 316 mil clientes, o Banco RCI lançou na terça-feira, 26, seu próprio CDB, para atrair investidores de varejo que poderão comprar o título on-line. É o primeiro banco de montadora a usar esse instrumento no País. A estratégia deve diversificar e reduzir o custo de captação de recursos, como forma de ampliar a oferta de crédito e assim apoiar o crescimento das duas marcas da Aliança Renault-Nissan no mercado brasileiro, onde de 60% a 70% das compras de automóveis são financiadas.
Para atrair clientes investidores a financeira facilitou bastante o processo de compra de seu título de renda fixa, feito 100% on-line via internet (www.bancorci.com.br) ou por meio do aplicativo do banco para smartphones, disponível nas lojas virtuais Google Play e App Store. Não há cobrança de tarifas bancárias. O investimento mínimo é de R$ 1.000 e o saque total ou parcial pode ser feito diariamente a partir de R$ 100.
O CDB do RCI vai pagar taxa de lançamento de 102% do CDI, o que atualmente significa remuneração pouco acima de 0,5% ao mês ou 6,5% ao ano sobre o capital investido. A aplicação tem baixo risco: é garantida (segurada) pelo Fundo Garantidor de Crédito até o limite de R$ 250 mil por CPF e o Banco RCI é classificado com a melhor nota de crédito possível pela agência Moody’s (rating Aaa.br).
“Como banco de montadora nosso principal objetivo é apoiar a estratégia de vendas de veículos com soluções de financiamento competitivo. Há um ano acompanhamos a Renault no lançamento da plataforma K-Commerce de compra 100% on-line do Kwid com a oferta de financiamento também 100% digital. Agora lançamos o CDB on-line. É um instrumento de captação muito usado aqui, avaliamos que será uma boa ferramenta para captar recursos e oferecer crédito aos clientes da Renault e Nissan”, afirma Frédéric Schneider, diretor geral do Banco RCI Brasil.
A instituição já trabalha desde 2012 com modalidade parecida no varejo de investimento/captação de renda fixa na Europa, onde já captou no varejo bancário € 16 bilhões em recursos de 380 mil investidores em quatro países (França, Alemanha, Áustria e Reino Unido).
“Não temos um objetivo fixo, mas avaliamos que nos próximos anos o CDB poderá representar algo em torno de 10% da captação de recursos no País”, calcula Andrea Arrossi, diretora administrativa e financeira do Banco RCI Brasil. “Escolhemos o CDB porque é o título bancário de renda fixa mais utilizado no País, correspondeu a 90% das emissões em 2018”, explica.
Segundo Arrossi, atualmente a maior fonte de recursos no mercado financeiro brasileiro vem do lançamento de Letras Financeiras Públicas (41% do total captado em 2018). A empresa foi a primeira a usar o instrumento no País, em 2011, e desde então já captou R$ 6,9 bilhões, tornando-se a maior emissora deste tipo de título. O segundo maior volume de captação do RCI vem de empréstimos interbancários (36%), seguidos por Letras Cambiais (16%), Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (5%) e Letras Financeiras Privadas (2%).
Instalado no Brasil desde 2000, o Banco RCI é uma sociedade entre o braço financeiro do Grupo Renault, o RCI Bank com participação de 60,11%, e o Santander, que detém 39,89% do negócio. A instituição fechou 2018 com patrimônio líquido de R$ 1,2 bilhão e lucro líquido de R$ 221 milhões. No mercado brasileiro, 75% dos contratos fechados pelo RCI são financiamentos de carros zero-quilômetro da Renault e Nissan, os outros 15% são vendas financiadas de veículos usados nas concessionárias das duas marcas. O banco opera em 36 países – a maioria na Europa – e tem 3,5 mil funcionários, com o objetivo de financiar as vendas de todas as oito marcas de veículos da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi (além das três, também Lada, Samsung, Dacia, Infiniti e Datsun).