
Apesar dos juros altos e de maior escassez de crédito no mercado em 2025, o saldo total da carteira de financiamento de veículos dos bancos das montadoras atingiu R$ 544,4 bi, crescimento de 12% em relação ao ano anterior, quando chegou a R$ 486,2 bilhões. Já o total de recursos liberados cresceu 3,5%, chegando a R$ 283,4 bilhões. Em 2024, esse número chegou a R$ 273,7 bilhões.
A pessoa física por meio do CDC (Crédito Direto ao Consumidor) foi a grande responsável pela tomada de crédito. A modalidade concedeu R$ 281,4 bilhões no total em financiamentos. Em relação ao ano passado, o número representou um crescimento de 5,6%.
Outro dado importante é que houve queda da taxa de juros do financiamento de veículos ao longo do ano, mesmo em um cenário de elevação da Selic, que chegou a 15%. Ao final de 2025, a taxa média anual caiu para 21,5%, ante 24,4% no início do ano.
Segundo Enilson Sales, presidente da associação, essa redução se deve às campanhas comerciais lideradas pelos bancos das montadoras, que ofereceram taxas mais atrativas e reduziram seus spreads.
“O movimento reflete a dinâmica competitiva do mercado, que, por meio de incentivos, atraiu compradores com perfis de menor risco”, afirmou o representante da entidade.
Em se tratando de carros de passeio, as vendas à vista, que chegaram a atingir um patamar de 64%, em 2022, ano de pandemia, continuaram a decrescer. Caíram de 50% em 2024 para 48% em 2025.
O financiamento também reduziu sua participação, descendo três pontos percentuais, indo de 46% para 43% do total de crédito concedido no ano passado. Já o consórcio aumentou sua fatia de 4% para 9%.
No segmento de pesados, caminhões e ônibus, o leasing voltou a ganhar espaço, com avanço de 2 pontos percentuais. Já o consórcio dobrou sua participação, passando de 4% para 8% no segmento. O CDC manteve-se estável em 31%, enquanto o Finame recuou de 31% para 22%.
Bancos projetam crescimento moderado em 2026
Em 2025, a inadimplência ficou em 5,6%, um aumento de 1,4 ponto percentual em 12 meses.
Para 2026, a Anef projeta crescimento moderado do mercado, com expansão de cerca de 3,9% nos recursos liberados para financiamento de veículos.
“Após a resiliência demonstrada em 2025, mesmo com juros elevados, o setor deve avançar com cautela, apoiado na gradual melhora das condições de crédito, mas ainda sob um cenário macroeconômico desafiador”, concluiu Sales.