O jornalista Altamiro Silva Júnior, do Estadão, registra que o aumento da inadimplência levou os bancos de montadoras a dificultar a concessão de crédito e projeta crescimento mais fraco dos empréstimos para financiar a compra de veículos em 2012.
A expectativa é de que as taxas de inadimplência, depois de um salto desde o fim do ano passado, subam mais um pouco até o fim deste semestre. Depois, devem se estabilizar, mas em um nível mais alto. O indicador para atrasos acima de 90 dias encerrou fevereiro em 5,5%, aumento de 2,7 pontos em 12 meses, segundo a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef).
Automotive Business apurou que o índice de 5,5% refere-se ao conjunto de todos os veículos comercializados no País, incluindo motos, automóveis, comerciais leves e pesados. Segundo a Anef, a inadimplência mais acentuada, que puxa o índice para cima, diz respeito a motocicletas. Nesse segmento os potenciais compradores têm dificuldade em oferecer garantias para obter financiamento.
Em reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Brasília, na quarta-feira, 11, o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, pediu uma solução do governo para a dificuldade de crédito no financiamento de automóveis. Ele explicou que o aumento da inadimplência levou os bancos a reduzir a oferta de crédito para compra de automóveis no varejo e disse que as instituições oficiais têm baixa participação nos financiamentos.
CAUTELA
Bancos de grandes montadoras, como a Volkswagen, estão mais cautelosos no crédito. “Está mais difícil aprovar novos empréstimos”, disse o gerente de marketing e novos negócios do Banco Volkswagen, Marcos Ferreira, ao jornalista do Estadão.
Nos três primeiros meses de 2011, a instituição aprovava cerca de 65% das propostas de empréstimo recebidas das concessionárias. No primeiro trimestre deste ano, caiu para 50%, por causa do temor de calotes.
A taxa de inadimplência no financiamento de automóveis da instituição, considerando os atrasos acima de 90 dias, subiu de 2,7% para 4%. “É normal, diante disso, que o banco fique mais cauteloso”, destaca Ferreira. Como reflexo da postura mais conservadora, a carteira de crédito do banco deve crescer menos. Após se expandir 19% em 2011, a projeção é que o índice fique em 12% este ano.
O banco Mercedes-Benz disse ao Estadão que espera crescimento mais modesto este ano. Depois de avançar 45% em 2011, a expectativa é que o saldo da carteira de crédito fique estável este ano. O diretor comercial da instituição, Angel Martínez, conta que houve recorde de empréstimos em fevereiro, com avanço de 45%, mas não vê o mesmo ritmo se mantendo nos próximos meses. A inadimplência no banco evoluiu de 1,6% para 2,2%, considerando os atrasos acima de 60 dias. Para 2012, o banco prevê liberar R$ 4 bilhões em todas suas linhas de crédito, número 5% acima de 2011. No ano anterior, o banco havia crescido 33%.
FINAME
O segmento de caminhões, que registra um período de baixa nas vendas, em razão nas mudanças na legislação de emissões para Proconve P7, equivalente a Euro 5, viu com otimismo a redução de juros nas linhas Finame, do BNDES, promovida no programa do governo para incentivo à indústria. As taxas para frotistas foram reduzidas de 10% para 7,7% ao ano e trouxeram ânimo aos diretores de vendas e marketing da Mercedes-Benz, MAN Latin América, Iveco e Volvo, que participaram do III Fórum da Indústria Automobilística, dia 9 de abril em São Paulo.
Apesar do estímulo do BNDES, o mercado trabalha com uma redução na demanda de caminhões este ano da ordem de 10% a 15%. As vendas foram fracas no primeiro trimestre e só serão retomadas na metade do ano, período em que as novas taxas Finame poderão ser efetivamente aproveitadas. “A partir de junho, com a efetivação da redução da taxa do Finame, deveremos ter uma retomada e o mercado deverá fechar com baixa de apenas 12% ante o excelente 2011”, projetou o diretor de vendas e marketing da Iveco, Alcides Cavalcanti, em entrevista ao jornalista Jairo Morelli, em entrevista para Automotive Business.