A maioria das marcas importadas não tem linha de produção própria na Argentina, o que obriga as empresas a fazerem acordos comerciais com outras exportadoras para vender ao exterior produtos que não guardam nenhuma relação com o setor automobilístico, como vinhos, arroz, queijos, milho e outros. O chamado “esquema do um a um” foi imposto pelo secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, a partir de 2010. A burocracia adotada para as importações em geral foi ampliada em fevereiro deste ano como ferramenta para impedir a saída de divisas do país e preservar o superávit comercial. Paralelamente, o governo adota também um férreo controle do mercado de câmbio.
Porém, ambas as armas estão se voltando contra a economia doméstica. As vendas de imóveis e de automóveis importados estão ameaçadas. No primeiro caso, os acordos de compra e venda estão caindo porque as operações são realizadas em dólares e os compradores estão com dificuldades para comprar divisas. Segundo os últimos dados do Colégio de Escrivães de Buenos Aires, a quantidade de escrituras lavradas no primeiro trimestre de 2012 caiu 11,6% em relação ao mesmo período de 2011. A maior queda, segundo o levantamento, foi em março, quando houve queda de 4,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado.
No caso dos automóveis, as concessionárias ainda têm estoques para atender a demanda, mas a Associação das Concessionárias estima que se a situação persistir, as vendas serão afetadas.