
Operando por enquanto com um centro de leilões em Mogi das Cruzes (SP) que tem pátio de 25 mil m² e capacidade para negociar até 30 mil veículos por ano, Costa reconhece que a BCA ainda não pode aproveitar todo o potencial do mercado brasileiro, já que alguns de seus clientes têm mais carros para vender do que a empresa pode dar conta. A carteira já tem 24 clientes entre bancos, locadoras, administradores de frotas e concessionários, com possível estoque de vendas na casa das 100 mil unidades/ano.
Este mês a BCA fechou parceria para recolocação dos carros das frotas administradas pela Ecofrotas, que tem sob sua administração nada menos que 860 mil veículos de 14,7 mil empresas. Também estão na carteira dois bancos e apenas um deles retoma cerca de 4 mil automóveis por mês de consumidores inadimplentes. Segundo Costa, as financeiras já conseguem retomar perto de 60% dos carros financiados com pagamentos em atraso e esse porcentual tende a crescer com a nova legislação que permite a recuperação mais rápida do bem em caso de inadimplência. Ele acrescenta que normalmente são carros em bom estado, com bom valor de revenda, 70% têm até quatro anos de uso e 30% até um ano e meio.
“Com o crescimento das frotas empresariais, possível adesão ao leasing operacional no País e aumento das retomadas, este é um mercado em pleno aquecimento, com incrível potencial de expansão no Brasil”, afirma Costa. Para aproveitar essa oportunidade, a BCA já estuda a abertura de novos centros de leilão, possivelmente um no interior de São Paulo, outro no Nordeste e mais um na Região Sul, que seriam abertos com investimento próprio ou pela via das parcerias. “Fazemos o serviço completo para o cliente: removemos o carro até nosso pátio, fazemos pequenos reparos necessários e lavagem, fotografamos, incluímos no nosso catálogo digital, vendemos em leilão e repassamos os valores recebidos, tudo sem risco”, explica o executivo.
ASSOCIAÇÃO
A BCA, fundada em 1946 na Inglaterra, já vinha há alguns anos tentando explorar o promissor mercado brasileiro de carros usados. O Brasil é o primeiro país da América do Sul a receber uma unidade da empresa. Mas as operações só decolaram a partir de março de 2014, quando foi acertada a associação com duas empresas brasileiras, a operadora de estacionamentos Estapar e a WPR, que pertence aos fundadores da construtora WTorre. Depois disso, o faturamento cresceu seis vezes nos últimos 12 meses.
A operação da BCA funciona atualmente por meio de leilões semanais no centro de Mogi das Cruzes, todas as quintas-feiras, em um auditório para 150 pessoas em que os carros passam funcionando na frente dos interessados. No início de cada semana é preparado um catálogo digital e são disparados mais de 10 mil e-mails com as ofertas para os potenciais compradores – 95% deles são lojistas, revendedores independentes. A partir da quarta-feira os veículos já estão disponíveis para visitação no pátio e já é possível registrar lances on-line. “Adotamos um sistema transparente. Ao contrário da maioria dos leilões no Brasil, em que os automóveis ficam estáticos e trancados, nós permitimos que os clientes vejam o carro funcionando”, destaca Costa.