
“O Brasil precisa colocar em circulação mais 15 milhões de veículos apenas para alcançar o mesmo nível de motorização da Argentina, que tem um veículo para cada cinco habitantes” — explicou o executivo.
Belini acredita que até 2015 o País tem plenas condições de produzir cinco milhões de veículos por ano (um milhão para exportação) e disse esperar uma retomada das exportações brasileiras, que já atingiram 800 mil unidades mas devem fechar 2009 com metade desse número.
Transporte de massa
O executivo entende que para chegar ao novo patamar será preciso também uma expansão do
transporte de massa. Ele demonstrou otimismo a respeito, embora o País some trinta anos atraso na infra-estrutura do transporte público, mesmo em São Paulo, e afirmou que já existe uma visão governamental a respeito da urgência de investimentos na área.
“Já temos a integração entre trens do Metrô e da CPTM. Há licitação para o projeto de trens ligando São Paulo a Campinas, a Guarulhos ou ao Rio de Janeiro. Tudo isso mostra que o governo está se movimentando”, avaliou Belini, acrescentando que a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016 impulsionarão os investimentos no País.
Não haverá apenas o avanço do transporte público, mas também uma mudança no mercado, como forma de readaptação à atual realidade, de congestionamentos e superlotação de veículos nas grandes cidades.
“A tendência é a cidade de São Paulo renovar a sua frota de veículos, e a frota atual migrar para regiões com menor densidade. Além disso, haverá uma evolução no uso do carro. Automóvel é para passeio, não apenas para trabalhar. A maioria esmagadora dos veículos transporta apenas um passageiro. Mas isso tende a mudar. As caronas irão aumentar e o uso do transporte público deve crescer”, disse Belini.
Crescimento de 5%
A Fiat projeta crescimento de 5% para as vendas automotivas em 2010, mas enxerga com cautela o ano seguinte. “Os economistas começam a se preocupar com 2011. Como haverá um novo governo, será preciso saber que reformas serão feitas para garantir a continuidade dos investimentos”, afirmou seu presidente.
Belini considera que a reforma tributária é a mais importante para aumentar as vendas do setor. “A perda de arrecadação do IPI foi mais que compensada com o aumento da receita com o PIS/Cofins, o ICMS, que é estadual, e o IPVA, que é estadual e municipal. No fechamento, a conta chegou a R$ 1 bilhão a mais”, explicou, enfatizando que o governo tem sensibilidade em relação à redução de impostos e consequente aumento da arrecadação, mas sofre muitas pressões em função de uma mentalidade arrecadadora: “O Brasil optou por arrecadar mais de menos, ao invés de menos de mais”.
Brasil, Rússia, Índia e China são responsáveis por 28% da produção mundial de veículos. Desse total, a China contribui com 16,9% de participação e o Brasil com apenas 4,7%. “Temos muitas vantagens em relação aos demais países do BRIC: um campo de pesquisa & desenvolvimento mais desenvolvido, uma cadeia produtiva integrada, capacidade instalada de mais de quatro milhões de veículos, mão de obra qualificada, tradição na produção de veículos, inovação tecnológica. O que nos atrapalha é a carga tributária.” – afirmou.
Os grandes desafios ficariam por conta da insegurança dos investidores por conta dos altos e baixos, crises, planos econômicos; problemas com logística; e educação: o Brasil forma por ano 43 mil engenheiros de todas as áreas, contra 440 mil na Rússia, 430 mil na Índia e 1,7 milhão na China.