
A possibilidade havia sido aventada por jornais europeus, que divulgaram a existência do Projeto Fênix, pelo qual a Fiat constituiria uma mega-empresa de alcance global somando a parceria com a Chrysler e operações da General Motors na Europa e América Latina.
Durante o seminário Revisão das Perspectivas, promovido por AutoData e organizado por Automotive Business dia 11 de maio em São Paulo, no Hotel Sheraton WTC, o executivo explicou a trajetória das negociações da Fiat com a Chrysler e os desdobramentos das negociações.
A primeira referência à iniciativa surgiu em maio de 2008, quando Sérgio Marchionne, presidente da Fiat, anunciou ao The Wall Street Journal seu interesse em levar a Alfa Romeo de volta ao mercado americano, onde gostaria também de lançar o Cinquecento.
Em dezembro Marchionne disse a Automotive News Europe que, para ser competitiva uma montadora deveria produzir 5,5 milhões a 6 milhões de carros por ano. Ele afirmou também que para isso acontecer haveria uma nova configuração do setor automotivo mundial.
O dirigente italiano passou então a negociar intensivamente com o governo americano e a Chrysler, visando à formação de uma aliança com a fabricante norte-americana, dona das marcas Chrysler, Jeep e Dodge. Dia 30 de abril foi anunciada a concordata da Chrysler (sob a proteção do Chapter 11 da legislação norte-americana) e o acordo com o Grupo Fiat.
“A Fiat está preparada para transferir sua tecnologia de ponta para a Chrysler e construir veículos e motores mais eficientes nos Estados Unidos” – disse o presidente Barack Obama no mesmo dia.
Belini afirmou que as negociações buscaram nivelar os pontos fortes das duas parceiras e promover economia de escala, tendo em vista a capacidade de competir globalmente com eficiência. Caberá à Fiat contribuir com a gestão, tecnologias de motores pequenos, plataformas de modelos compactos, estimular a sinergia em compras e contribuir para a distribuição fora do Nafta.
A venda dos ativos da Chrysler permitirá a constituição de uma nova empresa, sem obrigações financeiras, que assumirá depois o nome de Chrysler e terá participação inicial da Fiat em 20%. Os empregados terão 55%, o governo canadense e o Tesouro norte-americano 10%.
Outros 15% do capital poderão ser absorvidos pela Fiat com o atendimento de metas. Entre 1º de janeiro de 2013 e 30 de junho de 2016 a empresa italiana poderá comprar mais 16% de participação na nova Chrysler, desde que não haja dívida superior a US$ 3 bilhões com o Tesouro.
A diretoria da nova Chrysler terá 3 representantes da Fiat, 1 dos empregados, 1 do governo canadense e 4 do tesouro norte-americano. Se atingir as metas propostas a Fiat poderá designar mais um diretor.