
O primeiro modelo flex da BMW teve a ajuda da engenharia brasileira da Bosch, que ganhou experiência com o fornecimento do sistema em larga escala no Brasil. Após o período de desenvolvimento, a Bosch passou a fabricar e fornecer à BMW na própria Alemanha os principais elementos do powertrain bicombustível, incluindo a central de controle eletrônico, bombas de alta e baixa pressão e a injeção direta que trabalha entre 200 e 250 bars.
“Pela primeira vez desenvolvemos um motor só para um país”, destacou Luiz Estrozi, gerente técnico do BMW Group Brasil. “Como nossos carros já entregam desempenho suficiente, privilegiamos a economia”, disse Estrozi, para explicar por que não houve aumento de potência quando o 320i ActiveFlex usa só etanol. Segundo ele, quando abastecido com o biocombustível, o carro gasta cerca de 38% mais do que com gasolina. Em comparação com a média dos modelos flex brasileiros, que na média consomem 43% mais com álcool, houve um ganho de cinco pontos porcentuais.
O principal fator a favor da economia, no caso da BMW, é o uso da injeção direta e um sensor instalado antes da câmara de combustão – ao contrário dos demais carros flex, que leem essa mistura após a queima. O sensor indica o combustível antes da detonação, fazendo com que a central eletrônica ajuste com maior eficiência a quantidade exata de etanol ou gasolina (ou ambos misturados) necessária para o desempenho requerido pelo pé no acelerador.
Também graças à injeção direta calibrada para o álcool e ao comando eletrônico de válvulas foi conquistado mais um avanço para a tecnologia flex: o motor da BMW é acionado a frio com 100% de etanol sem necessidade de injeção de gasolina, o que elimina o tanquinho, nem do sistema de pré-aquecimento dos bicos injetores.
O turbocompressor usado pela BMW em seu flex é um Honeywell Garrett de duplo estágio, o primeiro a operar em um carro flex à venda. Segundo a engenharia da marca, não foi necessária nenhuma modificação para a turbina funcionar com etanol. “Não houve nenhuma contaminação, pois o etanol evapora antes da admissão no turbo. Fizemos vários testes e não houve necessidade de nenhuma mudança”, afirmou Markus Brown, gerente técnico do projeto de motor flexível da BMW.
A BMW ainda não revela para quais outros motores pretende instalar o sistema flex para venda no Brasil, mas Estrozi admite que “é um caminho natural” adotar motores bicombustíveis para toda a linha fabricada no Brasil. O sistema desenvolvido pode equipar qualquer motor entre 1 e 2 litros, trazendo a vantagem de imposto (IPI) menor cobrado de veículos flex.