
Do ponto de vista da sustentabilidade, as baterias de íons de lítio são uma das maiores preocupações nos carros elétricos. O componente tem vida útil curta no automóvel, entre 10 a 15 anos. Ainda existem poucas opções para reciclagem ou segunda vida do componente, mas empresas automotivas caminham nesse sentido.
No projeto liderado pela BMW, o objetivo é desenvolver a reciclagem de baterias por hidrometalurgia, processo que, segundo a marca, tem impacto ambiental menos do que a tradicional pirometalurgia, que envolve queima de componentes e é muito utilizada atualmente.
Como funciona a reciclagem
O processo de hidrometalurgia trabalha com os componentes da bateria em estado líquido. Na primeira parte do processo é feita a extração de energia das baterias e a separação da black mass, que contém componentes como níquel, cobalto, lítio ou manganês, dependendo do tipo de bateria. Na etapa seguinte, esses elementos químicos da black mass são separados em estado líquido.
Com 24 meses de duração, cada parceiro do projeto vai somar seus conhecimentos específicos para os estudos dentro de sua área de atuação.
Autora do projeto, a BMW fornecerá conhecimento técnico e as baterias do veículo elétrico BMW i3 para o processo de reciclagem. A Tupy será responsável por aplicar seus conhecimentos em materiais, metalurgia e processamento de geometrias complexas para desenvolvimento de tecnologias que ajudam na descarbonização. Enquanto o Senai Paraná será o executor do projeto de pesquisa e responsável pelas atividades e respectivas entregas dos resultados da pesquisa.
Plano é reutilizar materiais em novas baterias
A BMW aposta que o projeto vai abrir uma nova rota para uso de minerais reciclados na fabricação de novas baterias, diminuindo a dependência da matéria-prima mineral. O objetivo é a ressíntese do elemento ativo do cátodo de uma bateria, com material 100% reciclado.
Segundo o diretor de sustentabilidade e infraestrutura do BMW Group Brasil, Vivaldo Chaves, a iniciativa é parte da premissa da empresa de “garantir o futuro sustentável da mobilidade”. “Essa nova parceria com a Tupy e com o Senai é um passo adiante, pois, no futuro, poderá viabilizar a produção de novas baterias com reduzida extração de matérias primas do meio ambiente”, afirmou em nota à imprensa.