
“Fomos a primeira marca premium a anunciar a fábrica no País após o Inovar-Auto e seremos a primeira a começar a produzir”, destacou Arturo Piñeiro, presidente do BMW Group Brasil, durante evento na segunda-feira, 16, que marcou o início das obras dos prédios da nova fábrica – a terraplanagem foi praticamente concluída nos últimos oito meses. A unidade industrial será essencial para a estratégia de crescimento da marca no Brasil. Piñeiro estima vender 40 mil carros por ano aos brasileiros a partir de 2017, somando a produção nacional e as importações, o que significa mais que triplicar os volumes atuais de modelos BMW e Mini vendidos no mercado brasileiro.
“Esta fábrica segue nossa estratégia global de crescimento rentável, com a produção que segue o mercado”, afirmou Ludwig Willisch, presidente do BMW Group Americas. “O Brasil tornou-se importante para nossas vendas globais e para manter nosso ritmo de expansão aqui precisávamos da planta local”, acrescentou. Segundo ele, todos os cinco modelos serão produzidos em uma só linha de montagem. “Isso demonstra nossa flexibilidade.”
Piñeiro afirmou que em cerca de três anos a montadora espera atingir a capacidade máxima inicial da fábrica, destinada somente ao consumo doméstico. “Poderemos exportar só depois de atender o mercado brasileiro”, disse. “Ainda não pensamos em expansão, mas se for necessário podemos fazer isso dentro das mesmas instalações, com a adição de mais turnos, pois começaremos com somente um”, explicou.
Também não faltará espaço para crescer em caso de necessidade: a construção de linhas de armação de carroceria (solda), pintura e montagem final, além de prédios administrativos, ocupará 500 mil metros quadrados de área pavimentada em um terreno de 1,5 milhão de metros quadrados.

BMW Série 1, Série 3, X1, X3 e Mini Countryman: todos serão fabricados no Brasil
CONTEÚDO LOCAL
Os motores e as peças estampadas da carroceria dos BMW e Mini montados no Brasil virão da Europa. Mesmo assim, Piñeiro garante que não será problema atingir o volume de compras locais necessário para abater da sobretaxação de IPI. “Vamos atender aqui todas as exigências do Inovar-Auto”, informa.
A montadora negocia com fornecedores, mas avalia que não terá dificuldades em conseguir o que precisa no País. “Cerca de 80% das empresas de autopeças instaladas no Brasil são globais e quase todas já fornecem para a BMW, portanto não haverá problemas”, diz Piñeiro. Como o volume de produção é baixo, poucos deverão encontrar rentabilidade necessária para instalar plantas perto da fábrica de Araquari, embora alguns poderão abrir linhas de montagem de componentes mais volumosos e difíceis de transportar, como bancos, por exemplo. “A partir de janeiro vamos aprofundar essas negociações”, informa Gleide Souza, diretora de assuntos governamentais do BMW Group Brasil.
Os modelos BMW e Mini fabricados em Santa Catarina, segundo a montadora, terão o mesmo nível de qualidade de todos os carros das duas marcas produzidos em qualquer lugar do mundo, portanto vão precisar de sistemas sofisticados. Piñeiro garante que não haverá o chamado “downsizing tecnológico” comumente praticado por quase todas as montadoras instaladas no País, em que muitos equipamentos de conforto e segurança usados nos países de origem são retirados no mercado brasileiro para tornar os produtos mais baratos. No caso da BMW, a previsão é que os carros feitos no Brasil serão quase tão caros quanto os importados, portanto nem há necessidade de reduzir itens. No pacote de segurança, Piñeiro afirma que todo o aparato será mantido, inclusive o controle eletrônico de estabilidade (ESC ou ESP) para todos os veículos nacionais.
O treinamento dos futuros empregados começa em janeiro em uma linha de montagem experimental instalada no Perini Park, na vizinha Joinville. A BMW também já trata de firmar convênios com instituições locais de formação de mão de obra industrial qualificada, como o Senai. Apesar de o Estado de Santa Catarina ostentar um dos mais baixos índices de desemprego do mundo, de apenas 3%, a BMW garante que não faltam candidatos a trabalhar na nova fábrica, com mais de 20 mil aplicações de emprego já recebidas pelo departamento de recursos humanos. Em um primeiro momento, a planta de Araquari deve empregar 1,3 mil pessoas e gerar 2,5 mil empregos indiretos na região.