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Pedro Kutney, AB
A BorgWarner confirmou nesta terça-feira, 21, o montante que investirá em sua nova fábrica e centro de engenharia em Itatiba, no interior paulista. Serão aportados R$ 70 milhões, metade na construção e os outros 50% em aumento de capacidade produtiva no País, com a compra de maquinário e contratações, e desenvolvimento de novas linhas de produtos que hoje não são fabricados aqui. A unidade começa a ser construída já no terceiro trimestre deste ano e o início da produção está previsto para o terceiro trimestre de 2012. Os recursos virão de caixa próprio no País e de linhas do BNDES.
A atual fábrica da Borg no distrito de Barão Geraldo, a 20 km do centro de Campinas, fica em área residencial e não há mais espaço para crescer. Por isso a unidade será desativada e todas as operações serão transferidas, até o início de 2013, para Itatiba, igualmente próxima de Campinas (26 km). Todos os 500 empregados deverão ser transferidos. “A fabricação de turbocompressores tem certa complexidade e requer mão de obra qualificada. Esse foi um dos motivos para escolher um local próximo de onde já estávamos, queremos levar todo o pessoal para a nova unidade”, explica Arnaldo Iezzi Jr., diretor geral da BorgWarner Brasil. Ele acrescenta que outra razão para a escolha foi a localização em entroncamento rodoviário que permite fácil acesso aos principais clientes em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Segundo Iezzi Jr., a produção da Borg no Brasil está perto do limite e deverá crescer 15% este ano sobre 2010, quando foram feitos 300 mil turbos e 270 mil ventiladores e embreagens viscosas para sistema de arrefecimento, componentes integralmente destinados ao mercado de veículos comerciais a diesel. Em 2013, quando a nova fábrica entrar em operação, a capacidade produtiva subirá para 500 mil turbos e 500 mil ventiladores e embreagens viscosas.
Para atender a expansão está nos planos a contratação de 200 a 300 novos funcionários, elevando o contingente atual para 700 a 800 pessoas. “Esse número ainda depende da velocidade de absorção de novas tecnologias que estão para chegar e devem demandar alguns novos produtos que estudamos fazer aqui”, pondera o diretor. Mas espaço para crescer existe: a planta terá inicialmente 20 mil m2 e está dentro de uma área total de 100 mil m2.
Novos produtos
O executivo também revelou que já está em estudo a fabricação no País de novas linhas de produtos. Para veículos leves com motores flex gasolina-etanol, a empresa aposta no fornecimento de turbocompressores, variador de fase do eixo de comando de válvulas e sistema de acionamento por corrente.
A Borg já tem contratos globais de fornecimento de turbos e outros componentes de motor para veículos leves de quase todos os fabricantes que operam aqui também, como Ford, Volkswagen, Audi, Renault, PSA Peugeot Citroën, Renault e Fiat. “Existe a tendência de globalização de motores 1.0 e 1.4 dessas marcas a partir de 2014 e apostamos que muitos vão usar turbos. Por isso estamos nos preparando para fornecer no Brasil também”, explica Iezzi Jr. “O que será preciso fazer é adaptar os turbos para utilização em motores flex, que usam etanol e gasolina”, acrescenta.
Outro mercado que se abre no País é para o fornecimento do EGR Cooler, para o módulo de recirculação de gases para motores diesel Euro 5 e 6 de veículos comerciais leves. Com a entrada em vigor, a partir de janeiro de 2012, da legislação de emissões prevista no Proconve P7, a Borg já tem dois clientes no Brasil que vão usar seu sistema EGR importado: a MAN e a MWM International. “Com a nova fábrica estudamos fazer esses componentes aqui também”, diz Iezzi Jr.
O executivo informa ainda que a Borg Brasil deverá começar a produzir em breve embreagens viscosas eletrônicas, que nos próximos anos deverão substituir o componente com acionamento mecânico. “Já temos um cliente para começar a fornecer e a tendência é aumentar o volume.”
Euro 5
A Borg começa a fabricar no último trimestre deste ano novos turbocompressores de duplo estágio, utilizados nos motores diesel Euro 5 que passam a equipar todos os caminhões e ônibus vendidos no País a partir de janeiro próximo. “Nos preparamos para suportar crescimento na demanda de até 15% neste segundo semestre, por conta da antecipação de compras que deve ocorrer (para fugir dos preços maiores dos veículos Euro 5)”, conta o diretor. “Depois já esperamos pelo recuo das vendas, principalmente no primeiro trimestre de 2012”, destaca.