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Bosch: carro do futuro perto de virar realidade

O aguardado carro do futuro parece estar cada vez mais próximo de chegar ao presente e tornar-se realidade nas ruas. Ao menos é esta a impressão que a Bosch passou em seu encontro bianual com a imprensa, realizado na quinta-feira, 21, em Boxberg, Alemanha. A companhia traçou suas expectativas, falou dos esforços em busca de inovação e mostrou tudo isso na pista de testes, onde cerca de 40 modelos, entre carros em produção e protótipos, mostravam as tecnologias mais recentes desenvolvidas pela sistemista em parceria com montadoras.
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Giovanna Riato

22 mai 2015

5 minutos de leitura

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A ideia era mostrar na prática a aposta da companhia alemã para o futuro da mobilidade urbana, que inclui três pilares: conectividade, automação e eletrificação. As premissas foram aplicadas em diferentes níveis nos carros oferecidos para teste. A frota incluía modelos como o elétrico Tesla S equipado com sistema em desenvolvimento que permite ao carro rodar de forma totalmente autônoma. Outro destaque foi o Mercedes-Benz Classe B com sistema de assistência ao estacionamento com acionamento remoto, que pode ser feito de um tablet ou pela chave do carro. A gama de carros equipados com sistemas da fabricante alemã inclui até mesmo o impressionante Porsche 918 Spyder, série limitada que esbanja 887 cavalos de potência, com sistema de bateria e motor elétrico da Bosch.

“Nós já fazemos muito mais do que freios e sistemas de injeção de combustível. Fornecemos sistemas de mobilidade como um todo, incluindo soluções para carros conectados, outros modelos de transporte e infraestrutura”, determina Rolf Bulander, que comanda a área de soluções para a mobilidade da empresa. Segundo ele, a empresa pretende acompanhar nos próximos anos a convergência entre as tendências da área tecnológica e as necessidades da sociedade.

O executivo avalia que é necessário defender o transporte multimodal e investir em sistemas que aumentem a segurança, tornem os motores mais eficientes e tragam facilidade aos motoristas principalmente para enfrentar os congestionamentos das grandes cidades. Ainda assim, ele acredita que o automóvel permanece como fonte de diversão e objeto de desejo dos consumidores das mais diversas culturas. “Em economias maduras a demanda por veículos será guiada por inovações. Já nos mercados emergentes há a crescente adoção de novos padrões de consumo.”


APOSTAS

A Bosch aposta que eletrificação, automação e conectividade são aspectos complementares do carro que atenderão os desejos do consumidor, as necessidades ambientais e a mobilidade no futuro. Como exemplo, Bulander cita os carros elétricos, que não emitem gases do efeito estufa, mas ainda garantem diversão ao volante, com torque elevado. A companhia avalia que a eletrificação receberá impulso nos próximos anos, com a tendência de queda nos preços das baterias de íons de lítio e aumento da infraestrutura de recarga dos carros até 2020. Ainda assim, a tecnologia não reinará sozinha e vai conviver com outros tipos de propulsão. A expectativa é que, em 2025, este tipo de motor tenha participação de 15% nas vendas de veículos novos.

“Isso significa que o motor a combustão permanecerá como a base da mobilidade eficiente”, explica Bulander. Para isso, o executivo lembra que será necessário aumentar a eficiência destes propulsores. Ele estima que seja possível reduzir em 10% o consumo de combustível dos carros a diesel e em 20% o dos modelos a gasolina. Há ainda os motores híbridos, que terão espaço principalmente nas versões plug-in para o segmento de carros premium. “Também temos trabalhado em opções com bom custo benefício para o segmento de entrada e já temos dois pedidos de fornecimento para produção em larga escala”, comemora.

Sobre a automação, Bulander destaca o crescimento da presença de sistemas de assistência ao motorista. “Nossas vendas têm crescido um terço por ano.” Segundo ele, a demanda pelos sensores feitos pela empresa deve dobrar em 2015 como já aconteceu em 2014, quando foram vendidas mais de 50 milhões de unidades. Para garantir que o ritmo permaneça assim a empresa começará a fabricar este ano novos sistemas de estacionamento remoto, de manobras evasivas para a prevenção de acidentes e também tecnologias voltadas a situações de engarrafamentos.

Em 2020 a empresa pretende começar a fabricar sistema mais avançado, de alta ou total automação para que os carros rodem em estradas. Apenas a partir de 2025 a empresa prevê a chegada de tecnologia tão refinada que permita ao veículo circular de forma autônoma tanto em condições urbanas quando em rodovias.

Na área da conectividade a Bosch destaca que novos sistemas oferecerão recursos como diagnóstico remoto de problemas, gerenciamento de manutenção e de combustível e de autonomia. Em estágio mais avançado, as tecnologias permitirão gerenciar todo o ciclo de vida do veículo, desde o desenvolvimento e produção até a desmontagem e remanufatura ou reciclagem. O caminho natural, segundo a fabricante, é que os sistemas dos automóveis passem a se conectar e obter informações sobre as vias e possam até encontrar vagas de estacionamento antes mesmo de o veículo chegar ao local, poupando tempo do motorista.

Para tornar suas tecnologias mais eficientes, a Bosch pretende ampliar a atuação para além dos automóveis. “No futuro qualquer usuário das estradas poderá ser nosso cliente”, determina Bulander. A ideia dele é garantir que a companhia tenha participação ativa na transformação da mobilidade urbana que deve acontecer nos próximos anos, trazendo inovação e moldando os novos padrões. “O conhecimento da Bosch vai além da área dos carros e do transporte. Isso significa que poderemos conectar os carros a casas inteligentes”, sinalizou o executivo, dando pistas dos planos para o longo prazo.