
Em qualquer uma destas áreas, o tripé de produtos que a Bosch acredita ser seu diferencial é composto por sensores de alta precisão, software para processar dados e informações captados por estes dispositivos e serviços ligados a estas tecnologias. Além disso, outro grande ativo da Bosch é sua estrutura global de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), que soma 120 centros e laboratórios e 56 mil profissionais dos 390 mil funcionários que a companhia tem no mundo. O dado mais recente, de 2015, mostra que a empresa investiu € 6,6 bilhões só nesta área naquele ano.
Com isso, Bragazza aponta que tecnologia não é problema para a empresa, mas é necessário ir além disso. “Inovação é algo que está na veia da companhia, mas o conceito de fazer mais rápido, de trabalhar com Design Thinking e User Experience ainda não. Fazemos muito bem a inovação que chamo de clássica, focada no desenvolvimento tecnológico, mas de alguns anos para cá vimos a necessidade de olhar para inovação de forma diferente, mais ligada ao negócio”, conta.
INOVAÇÃO DENTRO E FORA DA EMPRESA
Globalmente, um dos frutos do novo olhar sobre inovação é a Robert Bosch Venture Capital (RBVC), focada em mapear a atuação de startups no mercado e investir nos negócios promissores. A iniciativa, de 2008, já aplicou 430 milhões de euros em jovens empreendimentos. “O foco está em empresas dos Estados Unidos, Europa, Israel e, desde o fim do ano passado, da China”, conta. O Brasil fica fora da lista por ser um mercado pequeno para o capital de risco da perspectiva global, diz Bragazza.
Assim, o jeito foi encontrar um caminho próprio para inovar localmente. Nasceu daí a área de Novos Negócios, que pretende buscar soluções além das quatro principais áreas de atuação da empresa. “Temos de encontrar e propor soluções tecnológicas para desafios locais, mas precisa ser algo que a empresa ainda não faz em nenhum outro lugar do mundo e que possa ser escalável, que a gente consiga, no futuro, levar a outros mercados se for interessante”, conta.
Para buscar o novo, o time trabalha em formato inovador também. São formadas equipes de intraempreendedores para mapear segmentos, identificar carências e trabalhar “à la startup”: propor solução, fazer modelo de negócio, entender a viabilidade e ir ou não adiante. “Eles se organizam como se fossem mesmo um pequeno negócio.” Entre erros e acertos, o departamento já teve um caso de sucesso na área do agronegócio, com o desenvolvimento de uma solução tecnológica de pecuária de precisão que vai ser usada por uma grande companhia do País, aponta Bragazza.
Com esse primeiro caso de sucesso e a consolidação da nova estrutura interna, agora a Bosch quer dar novo passo: se aproximar de startups e investir em inovação aberta. “Estaremos em dois espaços de incubação e cocriação aqui em Campinas, onde fica a nossa fábrica”. Um destes espaços é a aceleradora Weme, que reúne empresas instaladas na região, como a DHL. Bruno diz que a Bosch terá presença fixa ali e oferecerá mentorias para startups selecionadas.
“Estamos muito cuidadosos nessa abordagem. Queremos entender as sinergias. O que está claro é que não trabalharemos sozinhos”, diz. Segundo ele, o grande objetivo é combinar a alta tecnologia que a Bosch domina com a agilidade e a linguagem atual das startups.
