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Foto: sede da Bosch em Campinas (SP)
Giovanna Riato, AB
A Bosch confirmou nesta segunda-feira, 3, aporte de R$ 22 milhões em uma nova fábrica no Brasil para produzir a nona geração do ABS e o Programa Eletrônico de Estabilidade (ESP). Com o investimento, a companhia pretende acompanhar o crescimento da demanda por dispositivos de segurança no mercado.
Besaliel Botelho, que assumiu a presidência da companhia recentemente (leia aqui), não detalhou o local da planta ou o volume de produção. O executivo adiantou apenas que a corporação detém 70% do mercado de ABS do País e vende cerca de 500 mil sistemas por ano. Com a obrigatoriedade da tecnologia para os veículos novos, a partir de 2014, as vendas devem crescer em ritmo acelerado. Para conseguir atender à expansão, a planta será bastante flexível. “Caso necessário, poderemos aumentar o volume muito rapidamente e com investimento baixo”, explica.
Já a comercialização do ESP, tecnologia capaz de corrigir automaticamente a trajetória do veículo em manobras bruscas de emergência, não será apoiada em uma nova legislação. O sistema será vendido de acordo com o interesse das montadoras. Para Botelho, apesar não haver garantias de grandes volumes no início, o aumento da segurança nos veículos é uma das principais preocupações do setor, junto com expansão do conforto, conectividade e da oferta de veículos mais econômicos e menos poluentes.
“A tendência é que carros cada vez mais compactos recebam tecnologia. O acesso dos emergentes a novos sistemas também será ampliado”, projeta. Neste cenário, o presidente da Bosch aposta que o modelo do futuro terá propulsão elétrica, apesar do alto custo de produção e dos problemas ainda não resolvidos na área de reciclagem apontarem para outro caminho. “Hoje os veículos têm 40% de conteúdo eletrônico. Esse percentual deve subir para 75%”, acredita. O prazo para isso é a metade da próxima década, quando os volumes de vendas serão maiores.
Investimentos
A companhia vai investir R$ 103 milhões na América Latina em 2011, volume quase 50% superior ao registrado no ano passado. O aporte será destinado à expansão da capacidade e ao lançamento de novos produtos, como centrais eletrônicas para gerenciamento do motor, sensores de temperatura e pressão do ar e bobinas de ignição.
A quantia fica acima da média dos anos anteriores, já que, entre 2006 e 2010, a empresa aplicou R$ 362 milhões. O plano de investimentos para o 2012 ainda não foi divulgado por conta das incertezas acerca da nova política industrial e da economia internacional (leia aqui). Até o momento, a empresa confirmou apenas que a construção da nova fábrica de ABS entrará no planejamento do próximo ano junto com o aporte em uma planta de coletores de energia solar para aquecimento de água.
A fonte de energia é uma das apostas da Bosch, mas não no setor automotivo. “Hoje há outras tecnologias mais eficientes e promissoras”, avalia Botelho. Entre elas está o motor flexível, que ainda tem desafios como o aumento da eficiência energética e a disseminação de sistemas de partida a frio.
Outra prioridade é o desenvolvimento de propulsores pequenos, de até 1.000 cc. “Esta é o uma solução inteligente dos mercados emergentes, mas muitos modelos precisam melhorar e oferecer mais potência”, explica. A companhia investe ainda em soluções bicombustível, como o motor que combina gás natural veicular e diesel para o transporte urbano, e o propulsor etanol/diesel para aplicação agrícola.
Assista à entrevista exclusiva com Besaliel Botelho, presidente da Bosch para a América Latina:
