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Bosch pode ter papel fundamental no dieselgate

O Dieselgate, fraude nos motores diesel do Grupo Volkswagen para burlar o controle de emissões, começa a respingar na Bosch. A sistemista é responsável pelas unidades de controle que a companhia alemã usou nos 11 milhões de propulsores diesel EA189 que equiparam carros vendidos globalmente. Advogados de proprietários de carros da montadora acusam a fornecedora de trabalhar a quatro mãos com a Volkswagen no desenvolvimento do dispositivo fraudador.
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Redação AB

18 ago 2016

2 minutos de leitura

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O processo corre em sigilo nos Estados Unidos, mas a agência Bloomberg apurou que foram apresentadas uma série de provas de que a Bosch também se envolveu no esquema para evitar que as autoridades descobrissem a funcionalidade ilegal do software instalado no motor. O dispositivo identificava quando o carro estava em teste e reduzia o nível de emissões de poluentes. Nas condições reais de rodagem, o modelo emitia bem mais do que o permitido pela legislação.

Trecho do processo aponta que a Bosch “participou ativamente com a Volkswagen de uma conspiração de mais de uma década.” A sistemista teria ajudado a desenvolver o mecanismo e chegou até a fazer lobby com autoridades americanas para garantir que os carros do Grupo fossem aprovados.

Entre as provas apresentadas pela montadora estão registros e comunicações entre a fabricante de veículos, a sistemista e autoridades dos Estados Unidos. “A Bosch tinha profundo conhecimento do que a legislação permitia ou não permitia e ajudou a Volkswagen a conseguir aprovação”, aponta o processo.


BOSCH NÃO COMENTA

Procurada pela Bloomberg, a Bosch evitou comentar o caso e declarou apenas que está colaborando com as investigações. A companhia é uma das maiores sistemistas do mundo, com faturamento estimado em US$ 44,8 bilhões em 2015 e centros de pesquisa e desenvolvimento espalhados em diversos países.

A empresa fornece unidades de controle de motor para as principais montadoras. Desde que o escândalo do Grupo Volkswagen eclodiu, a companhia confirmou que entregava tecnologia para os propulsores adulterados, mas sempre negou qualquer envolvimento no escândalo. É, no entanto, improvável que a companhia tenha desenvolvido e testado soluções para a Volkswagen sem ter conhecimento da fraude.