
O processo corre em sigilo nos Estados Unidos, mas a agência Bloomberg apurou que foram apresentadas uma série de provas de que a Bosch também se envolveu no esquema para evitar que as autoridades descobrissem a funcionalidade ilegal do software instalado no motor. O dispositivo identificava quando o carro estava em teste e reduzia o nível de emissões de poluentes. Nas condições reais de rodagem, o modelo emitia bem mais do que o permitido pela legislação.
Trecho do processo aponta que a Bosch “participou ativamente com a Volkswagen de uma conspiração de mais de uma década.” A sistemista teria ajudado a desenvolver o mecanismo e chegou até a fazer lobby com autoridades americanas para garantir que os carros do Grupo fossem aprovados.
Entre as provas apresentadas pela montadora estão registros e comunicações entre a fabricante de veículos, a sistemista e autoridades dos Estados Unidos. “A Bosch tinha profundo conhecimento do que a legislação permitia ou não permitia e ajudou a Volkswagen a conseguir aprovação”, aponta o processo.
BOSCH NÃO COMENTA
Procurada pela Bloomberg, a Bosch evitou comentar o caso e declarou apenas que está colaborando com as investigações. A companhia é uma das maiores sistemistas do mundo, com faturamento estimado em US$ 44,8 bilhões em 2015 e centros de pesquisa e desenvolvimento espalhados em diversos países.
A empresa fornece unidades de controle de motor para as principais montadoras. Desde que o escândalo do Grupo Volkswagen eclodiu, a companhia confirmou que entregava tecnologia para os propulsores adulterados, mas sempre negou qualquer envolvimento no escândalo. É, no entanto, improvável que a companhia tenha desenvolvido e testado soluções para a Volkswagen sem ter conhecimento da fraude.