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Bosch quer dobrar faturamento na América Latina até 2020

Apesar do enfraquecimento das vendas na América Latina em 2014, o Grupo Bosch tem planos importantes para a região nos próximos anos. A companhia pretende dobrar o faturamento anual até 2020, para em torno de R$ 10 bilhões, considerando todas as divisões: mobilidade, bens de consumo, indústria, energia e tecnologia de construção. O principal impulso desta expansão virá de fora do setor automotivo, responsável hoje por 68% dos negócios no continente.
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Giovanna Riato

06 mai 2015

3 minutos de leitura

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“As outras áreas devem passar a responder por cerca de 50% do faturamento”, avalia Besaliel Botelho, presidente da Bosch para a América Latina. Segundo o executivo, a companhia já tem mais de 200 projetos em andamento na região que permitirão aumentar a oferta de produtos e alcançar este resultado. A ideia é fazer ofensiva nos segmentos de mineração, óleo e gás e agropecuária, que têm grande peso na economia do continente e precisam elevar a produtividade com soluções tecnológicas. Outro setor promissor é a indústria farmacêutica. “Queremos oferecer projeto que aproveite todas as nossas competências, desde a concepção da fábrica até a produção”, almeja.

Globalmente, reduzir a dependência da divisão automotiva não é tarefa tão simples. Com o aumento da conectividade e do conteúdo eletrônico nos carros, cresce também o portfólio de soluções da empresa para o segmento e, consequentemente, o peso da divisão nos negócios do Grupo. Atualmente a importância do setor na receita da companhia segue a mesma proporção da registrada na América Latina, de 68%.


RESULTADOS 2014

Influenciado pela queda da demanda no Brasil e na Argentina, o resultado da Bosch na América Latina encolheu 4% no ano passado na comparação com 2013, para R$ 4,9 bilhões. A projeção para 2015 é de crescimento moderado, de 2% a 4% sobre esta base.

Em 2014 o Brasil foi responsável por 83% do total do continente, gerando receitas de R$ 4,2 bilhões. Cerca de 22% deste valor foram obtidos com exportações. “Este montante já foi maior, mas falta competitividade para vender a outros países. A maior parte das nossas exportações é feita intercompany”, explica, referindo-se a entrega de componentes a outras unidades globais da própria Bosch.

Com isso, a América Latina respondeu por 3% do resultado global, que alcançou € 49 bilhões, com crescimento de 6,3% na comparação anual. A maior evolução no ano passado aconteceu na Ásia, onde a empresa obteve alta de 17% nos negócios. A União Europeia apresentou recuperação no ano passado e, puxada pela Alemanha, teve crescimento de 1,6%.

Em 2015 o desenvolvimento global da empresa na divisão automotiva ganhará força extra. Recentemente foi concluído o processo de aquisição de 100% do controle da ZF LS, divisão de sistemas de direção da companhia alemã. “Com isso elevamos o nosso faturamento mundial e passamos a ter no Grupo todos os recursos para trabalhar no desenvolvimento do carro autônomo”, explica. Ele aposta que a tecnologia vai começar a chegar ao mercado a partir de 2020, mas no formato de direção altamente assistida. Segundo ele, os veículos capazes de rodar com mais independência da ação do motorista só devem se tornar realidade nas ruas em futuro mais distante, já que a legislação de trânsito precisará acompanhar a evolução tecnológica da indústria.

Assista à entrevista exclusiva com o presidente da Bosch para a América LAtina, Besaliel Botelho: