A Bosch responsabilizou o Grupo Volkswagen pelo escândalo que envolve a companhia na manipulação dos dados sobre emissões de poluentes em 11 milhões de veículos a diesel de diversas marcas do grupo, descoberta primeiro nos Estados Unidos. A fabricante de autopeças fornece o sistema de injeção common-rail, assim como os módulos de dosagem e injeção para tratamento dos gases de escape, utilizados em vários modelos que apresentaram a discrepância entre as emissões medidas em testes e rodando em estradas.
Em comunicado à imprensa, a Bosch informa que os componentes são fornecidos seguindo estritamente as especificações do fabricante e a forma de calibragem e integração nos veículos completos é de responsabilidade de cada montadora.
A imprensa alemã revelou na segunda-feira, 28, que a Bosch teria advertido o Grupo Volkswagen, em 2007, sobre o fato de o software que monitora as emissões de poluentes ter sido desenvolvido apenas para testes, e que sua utilização em vias públicas era ilegal.
Quatro anos mais tarde, em 2011, a Volkswagen também teria sido avisada por um engenheiro do grupo sobre as práticas ilegais nos testes de emissões, segundo um relatório citado na edição de domingo, 27, do diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung.
A tecnologia desenvolvida pela Bosch é utilizada nos motores-alvo da fraude, que equipam 11 milhões de veículos do Grupo Volkswagen (os próprios Volkswagen, mais Audi, Seat e Skoda).
O software que opera a fraude, tecnicamente denominado “defeat device”, altera os dados das emissões quando “percebe” que o motor está sendo submetido a testes de laboratório e assim modifica o regime de funcionamento, para produzir menos gases nocivos ao meio ambiente, especialmente os óxidos de nitrogênio (NOx).
Em comunicado à imprensa sobre os recentes acontecimentos, a Bosch afirma que, na engenharia do motor a combustão, a tecnologia diesel é o melhor princípio para resultar em menores índices de emissões de poluentes. Segundo a empresa, os motores diesel atuais são “indispensáveis para atingir as metas europeias de emissões de gases de efeito estufa”.
A companhia afirma ainda que desenvolve sistemas de injeção e de tratamento de gases de escape que podem reduzir as emissões em todas as situações de condução e modos de operação, até mesmo em altas velocidades e em situações de aceleração intensa.
A empresa também acredita que haja potencial para reduzir as emissões de gás carbônico provenientes dos motores diesel em até 10% e também crê na possibilidade de redução das emissões de óxido de nitrogênio desses propulsores.