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Brasil & Argentina: efeito Orloff

Os mais jovens que me perdoem, mas tive que recorrer a uma imagem antiga para dar um titulo a este artigo. Faz já algum tempo que a propaganda de uma bebida alcoólica usou o bordão de “Eu sou você amanhã” para mostrar como uma pessoa seria no dia seguinte de uma noitada bebendo determinada vodka que não provocava ressaca. A marca do produto virou então chavão para os mais variados casos de prenúncio do futuro imediato.
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Redação AB

21 dez 2009

3 minutos de leitura

Ressuscito então esse bordão para ilustrar melhor o que já não é ameaça ou previsão alarmista, mas fato comprovado pela desindustrialização de um setor como o de autopeças: A Argentina de hoje é o Brasil de amanhã!

A atual importação de autopeças, que vem causando déficit crescente na balança comercial do setor automotivo desde o fim de 2007, é a clara transferência de produção e emprego para outros países mais competitivos, como aconteceu com as autopeças argentinas nos últimos anos.

Nesta semana uma entrevista do Paulo Butori para a revista da Automotive News Brasil ressalta esses aspectos e prevê para este ano em US$ 2,7 bilhões o déficit da balança, com deslocamento da produção para a Ásia, onde existem fortes estímulos fiscais.

Pior ainda, como já havia escrito em setembro passado, no “Réquiem para uma morte anunciada”, é a confirmação da tendência que já se fazia pressentir no setor automotivo desde 2006 quando as exportações de veículos começaram a minguar.

E o que os exportadores tem feito desde então? Reclamar do câmbio e nada mais!
E nós do setor de autopeças, além do prejuízo no mercado externo, também sofremos no mercado interno pela Tarifa Externa Comum, descontada em 40%, que nos coloca no “chiqueirinho” na concorrência com os produtores asiáticos.

Mas, como devemos estar cansados de saber, não adianta chorar o leite derramado. O Real valorizado veio para ficar e a TEC descontada pode até vir a ser mais baixa ainda como moeda de troca com a Comunidade Européia.

Só nos resta lutar contra outras assimetrias que nos deixam em inferioridade competitiva com nossos concorrentes: os já conhecidos encargos laborais que a Reforma Trabalhista nos deveria aliviar, os onerosos impostos que a Reforma Tributária tem o dever de reduzir e a remoção de todas as barreiras estruturais e não-estruturais que distanciam os exportadores brasileiras das economias desenvolvidas com quem temos de competir para freqüentar, em um futuro não tão longe, o palco mundial como ex-nação emergente.

Isso é uma tarefa extraordinária, que exigirá esforço de toda nossa sociedade, mas não teremos alternativa. Querendo um pais economicamente forte e com a almejada justiça social que nosso povo merece, teremos que criar condições para que nossas empresas invistam no seu aprimoramento produtivo, gerando empregos remunerados adequadamente para que acabemos com o paternalismo dessas bolsas com cunhos eleitoreiros.

Só precisamos de que alguém lidere essa iniciativa. Teria que ser a CNI – Confederação Nacional da Indústria ou até quem sabe a FIESP. Só o Sindipeças não bastaria…

Ou vamos assistir a argentinização do setor de autopeças de braços cruzados?

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Hugo E. I. Ferreira
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