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Redação AB
A Adefa assegurou que as exportações de automóveis argentinos já estão sendo barradas na fronteira com o Brasil e terão que esperar pelas licenças de importação. Segundo a jornalista Marina Guimarães, da Agência Estado, Mercedes-Benz, Toyota e GM já estariam sendo afetadas.
A quinta-feira foi marcada pela reação do governo brasileiro à importação de veículos, depois de algumas semanas de aborrecimentos com a ministra da indústria da Argentina, Débora Giorgi, que fez pouco caso do pedido do ministro Fernando Pimentel, do MDIC, para revisão das limitações à entrada no país vizinho de produtos brasileiros. A irritação de Pimentel era visível e ele não fez questão de esconder a insatisfação.
As notícias que vazaram durante o dia sobre medidas de restrição à entrada de produtos automotivos no País eram desencontradas e só no início da noite chegaram esclarecimentos do MDIC para indicar que apenas veículos completos estavam incluídos na determinação. Em São Paulo a expectativa agitou os bastidores na Anfavea e Sindipeças, entidades dos fabricantes de veículos e autopeças, respectivamente. No MDIC não havia, à tarde, clareza sobre o alcance da nova posição do governo, já que a formulação da nova política se limitou aos altos escalões do ministério.
As informações chegaram de forma desencontrada às agências e jornais. Em nota à imprensa a ministra Débora Giorgi afirmou que o Ministério de Desenvolvimento e Indústria do Brasil atuou de forma intempestiva e sem aviso, afetando 50% do total do comércio bilateral. Ela soube das decisões por meio de representantes do setor automotivo argentino e explicou que, quando a Argentina optou pelas licenças não automáticas para duzentos novos produtos, informou o Brasil dez dias antes do anúncio e a medida só passou a vigorar 30 dias depois.
Executivos da indústria automotiva brasileira já vinham manifestando a Automotive Business a preocupação com as restrições do país vizinho ao ingresso de componentes e veículos. Com as licenças não automáticas, os produtos não ficam retidos na fronteira, na maioria dos casos, pois não chegam a ser embarcados pelos fabricantes. O segmento de máquinas agrícolas, um dos mais afetados, perdeu a oportunidade de exportar colheitadeiras para a Argentina durante o processamento da safra atual.
A Argentina vem acumulando déficits na balança comercial automotiva. De acordo com Giorgi, no primeiro trimestre o Brasil exportou US$ 1 bilhão a mais que seu país nas trocas bilaterais.