
“O Brasil vive um dos melhores momentos de sua história por ter construído condições sólidas de desenvolvimento e crescimento econômico para o longo prazo.” Assim definiu a situação atual brasileira o ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega, durante sua explanação sobre as perspectivas para a economia durante o III Fórum da Indústria Automobilística realizado por Automotive Business nesta segunda-feira, 9, no Golden Hall do WTC, em São Paulo (SP).
O ex-ministro afirma que o País evoluiu nos últimos anos e reconheceu sua capacidade de crescimento, mesmo com o cenário de crise internacional que afeta diretamente o mercado interno. Para ele, o País se mostra muito mais resistente a partir de sua estabilidade econômica. “O Brasil reverteu a situação de devedor e passou para credor do mundo: suas reservas somam o equivalente a US$ 356 bilhões, ante uma dívida de US$ 299 bilhões, e recentemente a agência de classificação de risco independente Moody’s anunciou que deverá revisar este ano a nota de rating do País: são sinais claros de crescimento de uma economia sustentável”, disse.
Em âmbitos internos, Nóbrega projeta as tendências para 2012, começando pelo PIB, que deverá crescer de forma mais acentuada, 3,2%, o que significa aumento de 0,8 ponto porcentual sobre 2011. Ele acrescentou os fatores que contribuirão para esse resultado: a baixa taxa de desemprego, que em 2012 deve ficar em 5,8%, a menor da série histórica; o aumento da renda acima da inflação, cujo centro da meta é de 4%; a expansão do crédito e a dos índices de confiança. A inflação (IPCA) deve ficar entre 5,3% e 5,5%, enquanto os juros da taxa Selic (que segundo ele terá mais uma redução este mês) devem encerrar o ano em 9%. As estimativas para a balança comercial apontam superávit de US$ 25 bilhões, ainda puxado pelas commodities, e taxa de câmbio a R$ 1,70. O agora consultor estima que em 2013 a economia volte a registrar crescimento na ordem de 4% a 4,5%.
Resgatando o contexto histórico brasileiro, Nóbrega aponta que o País construiu seus alicerces de hoje baseados em investimento, qualificação de mão de obra e produtividade e que com isso possui importantes instituições que asseguram essa nova realidade econômica: “Temos um Banco Central com autonomia, um judiciário independente, disciplina no mercado, uma sociedade que aprendeu ser intolerante à inflação. É claro que ainda há muito a fazer, mas este se tornou um País previsível, o que lhe permite ter a capacidade de detectar erros e corrigi-los.”
Nóbrega acrescenta que o próximo passo será manter essa capacidade de estabelecer o crescimento da economia e continuar criando condições para o desenvolvimento. “O País atravessou uma linha divisória que não tem mais volta e é muito improvável que essas duas áreas (economia e política) retrocedam. O risco para o Brasil no futuro é perder oportunidade, é crescer pouco.”
Assista à entrevista exclusiva de Maílson da Nóbrega na Automotive Business WebTV: