
A indústria de motocicletas teve bons resultados em 2024. Ao produzir mais de 1,74 milhão de unidades, o segmento obteve seu melhor desempenho em 14 anos. O volume de vendas no varejo e o número de emplacamentos também foram positivos.
Entretanto, mesmo em meio a tantos números bons, a queda nas exportações chamou a atenção. Ainda que a retração de 5,9% não seja tão expressiva, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) ressaltou que isso só ocorreu pela queda no volume em importantes mercados internacionais.
Talvez isso explique porque a associação está tão otimista para 2025. A projeção para este ano é que as exportações somem 35 mil unidades, o que significaria alta de 13% em relação ao resultado obtido em 2024.
“Eu diria que essa projeção ainda é tímida porque, na verdade, esse número apenas retomaria o patamar em que precisamos estar. Se a gente mantiver o volume que vínhamos fazendo nos anos anteriores, nós já conseguiremos superar ou pelo menos alcançar esse número (de 35 mil unidades)”, afirmou Marcos Bento, presidente da Abraciclo.
Legislação brasileira é muito superior ao restante da região

Bento declarou que a disparidade nas legislações entre o Brasil e o restante da América do Sul atrapalha o desempenho da indústria nacional.
“O grande problema da exportação é estrutural porque o Brasil tem uma legislação alinhada aos países europeus, e é por isso que conseguimos exportar para mercados como Europa, Estados Unidos e Austrália. Enquanto isso, nossos vizinhos ainda estão em uma legislação duas ou três vezes anterior”, explicou o executivo.
“Ou seja, a gente fala de injeção eletrônica e eles de moto carburada. Isso faz com que a gente perca volume na América do Sul porque o produto no Brasil é muito mais avançado”, analisou.
O presidente da Abraciclo, inclusive, afirmou que a associação está pleiteando ao governo a busca pela igualdade nas legislações entre os países do continente.
“Estamos com essa pauta com o governo para que o Brasil atue junto aos países da América do Sul para haver uma harmonização de legislação. Não faz muito sentido ter um produto que emite menos (poluentes e ruído) no Brasil e no país vizinho seja permitido ter produtos com níveis de emissões e de ruídos maiores”.
Leis mais frouxas incentivam crescimento de marcas chinesas
Para Bento, essa falta de rigor na legislação dos países vizinhos facilita a entrada de várias marcas, sobretudo chinesas, que oferecem produtos de qualidade ruim.
“Esse é um ponto fundamental. A gente fala tanto de eletrificação, mas antes disso é preciso tratar sobre descarbonização. O produto brasileiro atende aos padrões mais exigentes com várias tecnologias alinhadas aos países de primeiro mundo. Enquanto isso, os países vizinhos permitem que o mercado da América do Sul seja inundado com produtos asiáticos de baixa qualidade”, concluiu.
