
Com o acerto, o México abre mão de uma fatia expressiva das exportações para o Brasil em troca da manutenção do acordo. Levando em consideração as importações de carros mexicanos em 2011, de US$ 2,1 bilhões, este ano a cota acertada imporá redução de US$ 700 milhões nos negócios. No período, as exportações de veículos brasileiros ao parceiro somaram US$ 500 milhões. O desequilíbrio com saldo negativo de US$ 1,6 bilhão para o Brasil motivou a renegociação do acordo.
Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, avaliou a definição como “muito razoável”. Ele e Antonio Patriota, ministro de Relações Exteriores, se reuniram na quarta-feira, 14, com os ministros mexicanos de Relações Exteriores, Patricia Espinoza, e da Economia, Bruno Ferrari, para desenhar o novo entendimento.
Pimentel voltou ao Brasil e deixou nas mãos de Patriota a negociação acerca do prazo para que o México atinja metas de aumento de conteúdo regional dos veículos. A intenção é que o índice salte dos atuais 30% para 45% de forma escalonada nos próximos quatro anos.
O ministro do Desenvolvimento participou de cerimônia do lançamento da obra da primeira fábrica de vidros planos do Nordeste, a Companhia Brasileira de Vidros Planos (CBVP), em Goiana (PE). A empresa vai atender à indústria da construção civil, moveleira e automobilística. Em discurso durante a cerimônia ele destacou que a revisão do acordo automotivo era “incontornável”. A fábrica da Fiat que está em construção no município foi um dos exemplos citados por Pimentel, que afirmou que a produção da unidade perderia mercado sem a renegociação.
Para ele, o governo tomou providências para defender o mercado das fabricantes nacionais. A atitude, segundo Pimentel, não pode ser classificada como protecionismo e é aceita pela OMC (Organização Mundial do Comércio). O ministro lembrou que não faria sentido aumentar em 30 pontos o IPI dos carros importados e manter uma brecha com o México.