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Brasil moldou CEOs de montadoras para operações no exterior

Aos olhos da matrizes, particularidades do mercado local qualificam profissionais para assumirem desafios maiores em outras localidades
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Bruno de Oliveira

11 jun 2024

2 minutos de leitura

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Em um espaço de pouco meses, três CEOs de montadoras instaladas aqui no Brasil – General Motors, Stellantis e Volkswagen – foram recrutados para comandarem outras operações no exterior. O movimento é recorrente na esfera C-level, claro, mas há algo em comum nessas mudanças de endereço.

O perfil do mercado brasileiro molda executivos para atuarem em mercados mais robustos. Segundo o consultor David Wong, da Alvarez & Marsal, as complexidades do setor automotivo local qualificam lideranças a enfrentarem desafios maiores nos Estados Unidos ou na Europa.


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“Todo executivo que atuou no Brasil, e apresentou resultados positivos às matrizes, seguiu para outras operações de suas empresas em posição de destaque”, conta Wong. “O Brasil representa uma espécie de prova de fogo, com inflação, custo alto de capital e desafios na manufatura.”

CEOs comandaram reações das montadoras no Brasil

Se olharmos em retrospecto, os três executivos das montadoras citadas acima protagonizaram de alguma forma momentos marcantes na operação brasileira.

Carlos Zarlenga, ex-GM e hoje na Stellantis North America, conduziu o processo de reestruturação dos custos da montadora no país. Foi o principal articulador de um plano local que acabou dando vida ao IncentivAuto, programa de fomento à indústria automotiva em São Paulo.

À época, a General Motors alegava que era preciso algo do tipo para viabilizar a sua permanência no país com produção local, uma vez que a montadora registrava prejuízos seguidos. Com a sanção do programa por parte do governo do estado, a empresa, enfim, ganhou algo de sobrevida.

Já o ex-CEO da Volkswagen, Pablo Di Si, que hoje está à frente da operação da montadora na América do Norte, esteve à frente da renovação da oferta da empresa na região, com as chegadas dos SUVs T-Cross (o mais vendido da categoria em 2024) e Nivus. O movimento vai além do lançamento dos produtos em si, com forte negociação com governos e sindicatos laborais.

A VW, assim como a GM, vinha à época com a operação no vermelho. A oferta renovada, com produtos mais adequados à realidade do mercado brasileiro, fez com que a montadora voltasse a equilibrar os números na região.

Pelos lados da Stellantis, os três primeiros anos da empresa no país também foram marcados por longas negociações com o poder público. A mais marcante delas foi a que envolveu a prorrogação dos incentivos no Nordeste – a contragosto de outras montadoras que também atuam no país.

Em meio às negociações, o CEO à época, Antonio Filosa, também teve de executar a estratégia de posicionamento da marca Fiat como líder no mercado nacional, além de reforçar outras que chegaram com a criação da Stellantis, como foi o caso de Peugeot e Citroën.