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Agência Estado e Agência Brasil
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, afirmou nesta terça-feira, 30, que o Brasil ainda não aprendeu a enfrentar a mudança de paradigma industrial que ocorreu no mundo. Segundo ele, pela primeira vez, existe um único país (a China) capaz de produzir qualquer manufaturado com preços mais baixos que o resto do mundo. “Não existe nenhum produto industrializado que possa ser feito a custo mais barato do que pelos países asiáticos, liderados pela China. Nós não aprendemos a enfrentar esse novo cenário”, disse em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde esteve para debater a política industrial anunciada no início deste mês.
O ministro afirmou que a crise internacional, que preocupa a todos, é a materialização de mudanças profundas no tecido econômico, social e político das sociedades. Para Pimentel, além da mudança de paradigma industrial, mais dois fatores mudaram o cenário mundial: a mudança do padrão monetário e do padrão de consumo.
“O dólar ainda é a moeda de troca mundial, mas perde credibilidade dadas as sucessivas crises financeiras dos Estados Unidos. Talvez estejamos vivendo os últimos anos com o dólar como moeda de troca internacional”, avaliou. Pimentel lembrou que os chanceleres dos países da América do Sul aprovaram a criação de um grupo de trabalho para elaborar uma proposta de mecanismo de troca lastreado por moedas locais.
Sobre a mudança do padrão de consumo mundial, para Pimentel Estados Unidos e Europa, que foram campeões de demanda, perderam a capacidade de expansão. “Essa mudança dos mercados de consumo fica mais clara quando vemos que a dinâmica do mundo se dá pelos países emergentes: China, Brasil, Índia e África do Sul. Este início de século 21 mostra essa grande mudança”, afirmou.
O ministro disse ainda que há um claro deslocamento do eixo geoeconômico do mundo para o Hemisfério Sul. “A economia gira abaixo da linha do Equador. Tudo indica que do ponto de vista da política internacional essa mudança também ficará visível”, apostou.
Otimismo
Nesse novo desenho mundial, Pimentel avalia que o Brasil tem as melhores condições no mundo para superar a atual crise econômica internacional. O ministro ponderou, no entanto, que o País precisa fortalecer a indústria nacional para enfrentar a disputa “predatória” com os produtos estrangeiros.
“Há uma crise internacional, mas não haverá outro país que melhor poderá sair dela do que o nosso. Não faço essa avaliação com otimismo exagerado, mas pela simples análise dos dados que temos”, destacou.
Segundo o ministro, essa condição brasileira para superar os efeitos da crise decorre do sucesso da aplicação da política fiscal. “Somos um dos poucos países do G20 com déficit nominal abaixo de 2% [do Produto Interno Bruto]. Há cinco ou seis países do mundo que têm esse emblema para mostrar”, destacou. “Temos responsabilidade fiscal acima da média dos outros países”, completou.
Para aumentar a competitividade e a produtividade da indústria nacional, Pimentel disse que o governo pretende atuar, dentro das ações do Plano Brasil Maior, em três pontos principais: inovação – aumentando a participação da ciência e tecnologia na produção –, tratamento adequado à produção local e, por último, aplicação de uma política de defesa comercial.
“Estamos preparados, mas estar preparado não significa que a solução está dada. Vamos ter de buscar solução para os desafios que estão colocados. Toda a solução econômica passa por uma instância política e uma negociação política”, argumentou o ministro.
Foto: Antonio Cruz/ABr