
Polêmico, criticava duramente o programa do álcool e se lançou, sem sucesso, ao projeto do carro elétrico. Adotando o plástico reforçado com fibra de vidro na estrutura dos veículos, na última cartada tentou ganhar escala de produção com o Cena, um carro econômico que não emplacou. Amaral Gurgel não aceitava recursos estrangeiros em seus projetos e adotou como solução a tração traseira, garantindo que as rodas dianteiras deveriam ser utilizadas apenas para direcionar.
Nascido em Franca, SP, em março de 1926, Amaral Gurgel era engenheiro pela Poli. Fez pós-gradução nos Estados Unidos e trabalhou na General Motors. Depois de produzir karts e minicarros para crianças, em 1966 apresentou o bugue Ipanema no Salão do Automóvel de 1966, utilizando a base mecânica do Fusca.
A Gurgel Motores surgiu em 1969 e produziu no ano seguinte o Xavante XT, primeiro sucesso de vendas da marca, com chassis tubular de aço revestido com plástico reforçado de fibra de vidro. Como lembra o jornalista Fernando Calmon, a robustez do chassi e a impossibilidade de ataque por corrosão da carroçaria logo se tornaram a marca registrada de todos os produtos.
Em 1975 a empresa ampliou as instalações em Rio Claro, SP, e lançou a série X10 do Xavante. O conceito da tração elétrica apareceu no Itaipu, de dois lugares, apresentado em 1974 – que não deu certo, mas abriu caminho para a versão E400, a partir de 1980, e a G800. Vieram depois o furgão X15 e, em 1984, o XEF, um veículo urbano para três passageiros com um único banco. O Carajás, com motor 1.8 litro do Santana, também não chegou a vingar.
O projeto do Carro Econômico Nacional (o Cena) recebeu todo o empenho de Amaral Gurgel, que concretizou seu lançamento em 1988, quando Ayrton Senna ganhou o título mundial de Fórmula 1. “Rebatizado de BR-800, em referência ao Brasil e à cilindrada, atraiu a atenção no primeiro ano, mas enfrentou problemas no momento de vender aos não-acionistas” – disse Fernando Calmon, lembrando que nem mesmo a evolução do carro para o Supermini salvou o programa. A produção parou em 1994 e a falência veio em 1996.