Em artigo para o Estadão no domingo, 27, a jornalista Cleide Silva escreve que depois de
conquistar com as matrizes o direito de desenvolver carros no próprio País, e de chegar ao quarto lugar na lista dos maiores mercados mundiais e ao sexto no ranking de fabricantes, a indústria automobilística do Brasil perde espaço para a Índia.
Segundo a jornalista, estudo da consultoria Roland Berger conclui que vários dos novos modelos que serão produzidos pelas montadoras nacionais nos próximos anos serão desenvolvidos na Índia, ainda que tenha participação de técnicos brasileiros. O país também pode tirar este ano do Brasil o sexto posto de maior produtor de veículos, mantido desde 2008.
No primeiro bimestre deste ano, a Índia tirou do Brasil o quarto lugar entre os maiores mercados, posto inédito alcançado em 2010. Foram 519 mil veículos vendidos no País ante 594 mil na Índia.
Para Stephan Keese, diretor da Roland Berger, “o Brasil continuará a participar do desenvolvimento de novos carros compactos, mas vai perder a oportunidade de liderar projetos no segmento que mais cresce no mundo.” O alto custo local, segundo ele, tira a competitividade do País. Ele entende que as montadoras vão concentrar a criação em países de baixo custo e a Índia leva vantagem, embora as grandes fabricantes tenham centros de pesquisas no Brasil.