
O governo da presidente Dilma Rousseff terá nesta quinta-feira, 27, a primeira oportunidade de tratar com a China a questão cambial, em meio à crescente pressão do setor privado para o Brasil elevar barreiras contra produtos chineses. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, terá uma reunião com o ministro do Comércio chinês, Chen Deming, durante o Fórum Mundial de Economia, em Davos, na Suíça. O encontro será com agenda aberta e deve abordar desde o relacionamento bilateral até as negociações da Rodada Doha.
A China está confortável com a situação atual, inundando o mercado com a desvalorização forçada de sua moeda. Por isso, o governo brasileiro pode impor sobretaxas antidumping, apesar das estimativas da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), que apontam a China, pela primeira vez, como líder de investimentos diretos no Brasil em 2010, com um fluxo de capital de US$ 17 bilhões, pouco menos de um terço do total de US$ 52,6 bilhões ingressos.
Segundo apurou o jornal Valor Econômico, a China foi o único país dentro do G-20, grupo das maiores economias ricas e emergentes, que sequer propôs indicadores que serão usados para levar países com déficits ou superávits comerciais excessivos a fazerem correções em suas políticas. Uma prova do seu contentamento com o atual cenário econômico.
Em Davos, haverá uma série de reuniões bilaterais e ministeriais sobre comércio envolvendo países, como Índia e África do Sul, além de Brasil e China.
Impacto no mercado automotivo
A crescente presença da China também é sentida no mercado automotivo brasileiro. Segundo dados da Abeiva, Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores, entre as seis marcas estrangeiras que mais cresceram em 2010, quatro são chinesas (Chery, Effa Hafei, Hafei Motor e Chana). Embora ainda baixos, o índice de vendas da líder Chery, por exemplo, aumentou de 497 unidades em 2009, para 7005 em 2010, um crescimento de 1300%.
Esses números são reflexos do aumento da participação de importados no total das vendas de veículos no mercado doméstico. Em 2011, o índice deve crescer para 22% (média no ano) ante 18,8% registrado em 2010, segundo o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini.
Belini afirmou também que o recente crescimento das vendas de automóveis asiáticos no País “não assusta”, desde que as regras sejam respeitadas. O executivo admitiu, no entanto, que o aumento da presença de importados já começa a afetar a rentabilidade das montadoras instaladas no Brasil.
Com informações do Valor Online.